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Aquecimento trará perdas abruptas de biodiversidade

O aquecimento global e as mudanças climáticas introduzem riscos cada vez maiores à biodiversidade. As projeções de modelos climáticos sugerem uma possível perda global de biodiversidade, caso a a atual trajetória se mantenha, alertou estudo de pesquisadores de universidades da África do Sul, Estados Unidos e Reino Unido.

As pesquisas anteriores a respeito da relação entre aquecimento global e perda de biodiversidade apresentavam limitações. De acordo com o estudo, em geral elas não promoviam um entendimento amplo da questão devido à metodologia empregada.

Em vez de explorar os efeitos sobre a biodiversidade em um período fixo de tempo no futuro, os pesquisadores adotaram uma abordagem diferente. Eles analisaram como as alterações de temperatura e precipitação afetam no presente e no futuro diversas espécies da fauna.

Para tanto, eles reuniram dados de reconstruções das modificações climáticas observadas globalmente entre 1850 e 2005. A partir de modelos climáticos, estenderam a análise das mudanças na temperatura e chuva para até o ano de 2100, levando em consideração diferentes cenários de emissões de gases de efeito estufa.

As informações sobre as condições climáticas foram cruzadas com a distribuição geográfica de mais de 30 mil espécies, terrestres e marinhas, de animais – aves, mamíferos, répteis, anfíbios, peixes, entre outros – e plantas.

A partir daí, foi possível projetar para diferentes regiões do planeta quando as espécies começariam a experimentar condições climáticas adversas. Para o estudo, condições adversas eram representadas pela ocorrência de altas temperaturas ao longo de um período de pelo menos cinco anos.

Os resultados sugeriram que os impactos sobre a biodiversidade não irão se dar de forma gradual. Pelo contrário, as mudanças climáticas e o aquecimento global tendem a provocar perdas abruptas de comunidades ecológicas.

As projeções indicaram que as espécies de um nicho localizado em uma determinada área geográfica conseguiriam suportar as alterações de temperatura e precipitação até um certo limite. Mas quando o limite era ultrapassado, várias espécies pertencentes ao nicho ecológico enfrentavam simultaneamente condições adversas.

As projeções do estudo indicaram que, na maioria das comunidades ecológicas avaliadas, em média 73% das espécies experimentavam temperaturas sem precedentes ao mesmo tempo.

Dessa forma, a grande proporção de espécies expostas ao estresse em uma mesma região levaria ao colapso abrupto da biodiversidade. Na comparação de um dos pesquisadores, é como o aquecimento e as mudanças nas condições climáticas empurrassem pouco a pouco as espécies para a beira de um penhasco, até que elas caíssem.

Diferentes regiões geográficas atravessariam esse limite para a biodiversidade em momentos distintos. As condições sem precedentes atingiriam os oceanos tropicais antes de 2030. Outras áreas do oceano em latitudes maiores, e as florestas tropicais, enfrentariam riscos até 2050.

A severidade dos impactos sobre a biodiversidade dependeria do cenários de emissões de gases de efeito estufa. No cenários de temperatura média global de 4°C acima dos níveis pré-industriais até 2100, estimou-se que pelo menos 15% das comunidades ecológicas mundiais ficariam expostas a perdas abruptas.

Em um cenário de aquecimento de até 2° C acima dos níveis pré-industriais – cada vez menos provável -, a quantidade de comunidades expostas diminuiria para cerca de 2%. Ainda assim, o ressaltou que entre elas, encontram-se locais com uma das maiores biodiversidades do planeta, como a Grande Barreira de Corais, na Austrália.

A Grande Barreira registrou entre Fevereiro e Março o terceiro evento de branqueamento em massa dos corais nos últimos cinco anos. O evento desse ano foi o mais extenso e severo observado.

O aquecimento global e as mudanças climáticas tem o potencial de provocar perdas súbitas e significativas da biodiversidade. É preciso monitorar atentamente a saúde da biodiversidade, ressaltaram os pesquisadores.

O futuro guarda, se uma reviravolta não ocorrer na trajetória atual do aquecimento, graves riscos à flora e à fauna.

Fonte: UCL
Mais informações: Trisos, C.H., Merow, C. & Pigot, A.L. The projected timing of abrupt ecological disruption from climate changeNature 580, 496–501 (2020).
Imagem: Flickr/ Oregon State University

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