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Aquecimento reduz a abundância de insetos

O aquecimento global pode estar por trás da queda na abundância de insetos em florestas tropicais, alertou estudo de pesquisadores de universidades dos Estados Unidos e do México. A queda tem graves consequência na cadeia alimentar, pois os insetos são a fonte de alimento de diversos animais.

O estudo lembrou que, em todo o planeta, o aquecimento está interferindo na biosfera em uma velocidade acelerada. No caso dos trópicos, pesquisas recentes sugerem que a região apresenta grande vulnerabilidade às mudanças climáticas.

Porque se adaptaram a ambientes com baixa variabilidade sazonal, as espécies tropicais tendem a possuir nichos térmicos mais específicos. Dependem da manutenção de condições estáveis de temperatura, e dispõem de baixa capacidade de aclimatação.

Dessa forma, mesmo pequenas elevações da temperatura podem causar impactos significativos na aptidão e na abundância das espécies tropicais.

No caso dos insetos, uma projeção anterior indicou que a abundância de insetos nos trópicos poderia cair em até 20% devido ao aquecimento global. Dada a sua relevância para o bem-estar dos ecossistemas, a perda de insetos traria profundas alterações no funcionamento e na biodiversidade das florestas.

Apesar da enorme importância, existem severas limitações de dados de longo prazo sobre a abundância populacional e as taxas de extinção de insetos. A maior parte da pesquisa realizada, concentrada em regiões temperadas, detectou um grande declínio.

Além do aquecimento global, outros fatores apontados como responsáveis pelo declínio na população de insetos são a perturbação do habitat e o uso de inseticidas.

Pouco se sabe, no entanto, a respeito dos impactos do aquecimento nos insetos das florestas tropicais. A fim de contribuir para a pesquisa do tema, o estudo analisou dados de longo prazo da abundância de insetos e de animais que deles se alimentam em uma floresta tropical de Porto Rico.

Séries de dados de estações meteorológicas locais forneceram informações a respeito de mudanças nas condições climatológicas.

Os resultados mostraram quedas de longo prazo na abundância das espécies. O declínio se verificou na comparação entre amostras da biomassa total de insetos, e também em um monitoramento anual de longo prazo de uma espécie de bicho-pau.

A queda se deu simultaneamente para a grande maioria das espécies investigadas, tanto naquelas que habitam a superfície da floresta quanto as que preferem a copa das árvores. Além disso, a diminuição da biomassa ocorreu mesmo em um contexto de grandes reduções na quantidade de predadores de insetos.

O efeito adverso e geral teria origem em um mesmo fator ambiental. Frente ao aumento das temperaturas registrado na região, os pesquisadores sugeriram a hipótese de que o aquecimento global tem sido um fator predominante para o declínio de insetos na floresta.

Por sua vez, a diminuição de insetos teria provocado um efeito cascata, levando à redução da abundância de animais florestais insetívoros.

Essa hipótese explicaria os resultados obtidos em uma pesquisa realizada anteriormente em florestas tropicais da Costa Rica. Lá, verificou-se um decréscimo simultâneo nas populações de répteis, anfíbios e aves.

É urgente realizar um monitoramento abrangente de insetos e de animais insetívoros nas florestas tropicais ao redor do planeta. Esses dados são cruciais para a compreensão do impacto das alterações climáticas nas cadeias alimentares terrestres, na dinâmica dos ecossistemas e na biodiversidade.

Mais informações: Lister, B. C., & Garcia, A. (2018). Climate-driven declines in arthropod abundance restructure a rainforest food webProceedings of the National Academy of Sciences115(44), E10397-E10406.
Imagem: Flickr/ Marcel Holyoak

Informações científicas e recursos audiovisuais sobre o aquecimento global, o efeito estufa e as mudanças climáticas
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