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Aquecimento pode ter alterado o Atlântico Norte

O acúmulo de energia está alterando os componentes do sistema climático terrestre. Um das regiões em modificação é o norte do Oceano Atlântico, afirmou estudo de cientistas de universidades dos Estados Unidos e do Reino Unido. Eles levantaram evidências de que uma grande circulação oceânica do Atlântico está se acelerando.

Existem duas grandes correntes no Atlântico. A primeira delas, chamada de giro subropical, leva águas superficiais quentes da região dos trópicos para áreas de maior latitude. A outra é o giro subpolar, que responde pela conexão entre as águas do giro subtropical e as águas frias do Ártico.

O giro subpolar fica localizado próximo da Islândia e se estende aos mares de Irminger e de Labrador. De acordo com o estudo, o giro subpolar pode exercer influência sobre a formação de águas profundas da Circulação Meridional de Viragem do Atlântico – AMOC, na sigla em inglês. Além disso, ele afeta a temperatura das águas, a cobertura de gelo e os ecossistemas marinhos.

Registros paleoclimáticos anteriores permitiam reconstruir o comportamento do giro subpolar do Atlântico Norte algumas décadas no passado. Não haviam indicadores de longo prazo da dinâmica regional, limitando o entendimento dessa importante corrente oceânica.

A fim de obter informações que cobrissem um período maior de tempo, o estudo analisou fósseis de foraminíferos presentes em sedimentos marinhos do fundo do mar. Através desse método, e também do levantamento de concentrações de nitrogênio, importante nutriente para a vida marinha, os cientistas extraíram dados sobre as condições oceânicas locais dos últimos 10.000 anos.

Os resultados apontaram que a dinâmica do giro subpolar do Atlântico Norte durante o século 20 foi excepcional. Comparado com os dados dos últimos 10.000 anos, identificou-se, a partir da Revolução Industrial e concentrada no século passado, uma tendência de longo prazo, sem precedentes em todo o registro histórico.

As modificações levaram águas subtropicais mais quentes até áreas próximas da Islândia, onde sempre dominaram águas subpolares e frias. A mudança introduziu um grande impacto na distribuição regional das espécies marinhas, sendo marcada pelo desdobramento súbito.

Gráfico de alterações em espécies marinhas do Atlântico Norte nos últimos 10 mil anos
Indicadores de mudanças nas condições marinhas do Atlântico Norte. Organismos marinhos associados à águas polares frias – gráficos (a), (b) e (c) – diminuíram, enquanto subiu significativamente a concentração de organismos de águas subtropicais (d) e o uso de nutrientes (e). Fonte: figura 4 do estudo.

Ocorreu uma intrusão de ecossistemas subtropicais, que passaram a ocupar novos habitats. O transporte de calor através das águas do mar alcançou latitudes localizadas mais ao norte.

Várias outras evidências identificadas anteriormente suportam a teoria de que as modificações representam uma grande reorganização da circulação do Atlântico Norte. Um possível fator para a alteração na dinâmica do giro subpolar do Atlântico seria o aumento da água doce na região. Modelos sugerem que esse fenômeno surge como consequência do aquecimento global.

Ainda persistem incertezas quanto às causas das mudanças. O estudo recomendou a continuidade das pesquisas, a fim de aprimorar o conhecimento das circulações oceânicas regionais e seus impactos sobre o Ártico.

Mais informações: Spooner, Peter T., et al. “Exceptional 20th century ocean circulation in the Northeast Atlantic.” Geophysical Research Letters (2020): e2020GL087577.
Imagem: figura 1 do estudo – mapa do giro subpolar do Atlântico Norte. Locais de extração de sedimentos marinhos estão indicados pelos círculos

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