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Aquecimento impacta camada de água no Atlântico Norte

O oceano possui um papel central no sistema climático. Estima-se que o oceano absorveu aproximadamente um terço de todas as emissões humanas de dióxido de carbono – CO2 -, o principal gás de efeito estufa. Contribui dessa forma para minimizar a intensificação do efeito estufa provocada pelo aumento das concentrações atmosféricas de CO2.

Além disso, cerca de 90% da energia adicional acumulada pelo sistema climático é absorvida pelo oceano. Ele funciona como um amortecedor, absorvendo a maior parte da energia e evitando que o aquecimento global provoque choques sobre outros componentes do sistema climático.

Todavia, à medida que absorve e estoca volumes maiores de energia e de CO2, o oceano se modifica. Estudo de um grupo internacional de cientistas identificou evidências de alterações recentes e significativas na Água Modal Subtropical do Atlântico Norte.

Águas modais são camadas de água de oceano caracterizadas por apresentarem propriedades, como temperatura e salinidade, praticamente homogêneas. No Atlântico Norte, durante o inverno, o resfriamento e processos de convecção das águas levam à formação de águas modais. Na primavera, a camada se desvia da zona de formação na direção do norte do Atlântico.

Segundo o estudo, a Água Modal Subtropical do Atlântico Norte apresenta volumes comparáveis à formação de águas profundas do Atlântico Norte. Ela também transporta energia e participa de processos biogeoquímicos regionais, como o sequestro de carbono ou o fornecimento de nutrientes para organismos marinhos.

O acúmulo de energia pelo oceano poderia interferir na formação da camada de Água Modal Subtropical do Atlântico Norte. Para analisar essa possibilidade, os cientistas várias séries de dados de monitoramento e informações sobre a camada coletados no período entre 1955 e 2018.

Gráfico da espessura de camada de água modal do Atlântico Norte
Gráfico apresenta o monitoramento da espessura da camada de água modal do Atlântico Norte entre 1960 e 2018. Fonte: adaptado da figura 4 do estudo.

Detectou-se uma forte deterioração da camada de Água Modal Subtropical do Atlântico Norte. A deterioração se concentrou na última década. A camada se tornou significativamente mais fina. O evento mais fraco de todo o período analisado se deu entre 2014 e 2018. A tendência ocupou uma grande extensão territorial do Atlântico Norte.

O aquecimento das águas superficiais no local de formação, e o enfraquecimento da circulação de revolvimento meridional do Atlântico, foram apontados como os fatores por trás da tendência. Ambos se devem aos efeitos do aquecimento global sobre o oceano.

Apesar dos resultados, os cientistas se mostraram cautelosos. Tendências em processos do oceano muitas vezes possuem larga escala de tempo. A ocorrência de invernos rigorosos na área de formação pode restabelecer as condições normais da camada de água modal. Assim, o monitoramento deve continuar, a fim de confirmar a tendência.

Mas se o aquecimento das águas superficiais do oceano e a desaceleração da circulação meridional de revolvimento meridional do Atlântico representarem a causa, a tendência poderá continuar ou se acelerar no futuro. Significaria uma mudança em larga escala do oceano, com implicações para processos como a absorção de CO2.

Mais informações: Stevens, S.W., Johnson, R.J., Maze, G. and Bates, N.R., 2020. A recent decline in North Atlantic subtropical mode water formationNature Climate Change, pp.1-7. O estudo pode ser acessado aqui.
Imagem: adaptado da figura 5 do estudo – mapa da tendência de perda de espessura da camada de água modal do Atlântico Norte no período entre 2014 e 2018, em comparação com a média do período entre 1955 e 2013.

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