Sistemas agroflorestais podem compensar as emissões da agropecuária

Os sistemas agroflorestais tem o potencial de aumentar o sequestro de carbono no Brasil de modo a compensar as emissões de gases de efeito estufa da agropecuária nacional, concluiu estudo de cientistas brasileiros. A quantidade de carbono absorvida pelos sistemas agroflorestais é maior do que emitida na forma de dióxido de carbono – CO2.

No contexto do acordo climático de Paris, o Brasil se propôs a reduzir em 37% a emissão de gases de efeito estufa até 2025, considerando os níveis de 2005. A maior parte das emissões nacionais tem origem no setor agrícola. De acordo com o estudo, a pecuária responde por 90% das emissões o metano – CH4 – e 33% das emissões de óxido nitroso – N2O, dois importantes gases do efeito estufa.

Para cumprir a meta, o país terá portanto de implementar uma agricultura de baixa emissão de carbono. Uma das estratégias é a adoção de sistemas agroflorestais, combinando o plantio de árvores ou plantas lenhosas perenes com atividades da agropecuária, como criação de rebanhos, cultivos e pastagens. Além de reduzir as emissões, esses sistemas também contribuem para a melhoria da qualidade dos solos e da grama.

O estudo buscou quantificar o potencial de redução das emissões de gases de efeito estufa por meio de sistemas agroflorestais localizados no sudeste brasileiro. Para tanto, entre 2007 e 2012 os cientistas criaram quatro tipos diferentes de sistemas, estimando para cada um a quantidade de gases emitida e a quantidade de carbono sequestrada pela biomassa. 

Os resultados estimaram que, ao longo de todo o período do experimento as emissões anuais totais por hectare variaram entre 2,81 to 7,98 toneladas de CO2e. O total foi considerado baixo pelos cientistas devido às práticas utilizadas nos sistemas agroflorestais, como, por exemplo, o plantio direto. Além de diminuir o uso de máquinas e o consumo de combustível, elas aumentaram o teor orgânico de carbono e nitrogênio no solo e a biomassa microbiana.

A quantidade de carbono sequestrada também variou conforme o tipo de sistema, totalizando entre 9 e 58 toneladas de CO2e por hectare. O estudo ressalta que essa diferença depende das espécies de árvores e a idade, do tipo de pastagem, da localização geográfica, de aspectos ambientais e de manejo.

Para compensar as emissões de cada um dos sistemas agroflorestais avaliado, o número de árvores plantadas variou entre 17 a 44 por hectare. A quantidade de árvores utilizadas no experimento foi maior, o que para os cientistas indica o grande potencial de sequestro de carbono.

Sistemas agroflorestais podem contribuir significativamente para o país atingir suas metas de redução de gases de efeito estufa. Trazendo ao mesmo tempo ganhos adicionais, diminuindo a pressão sobre as florestas ou melhorando o bem-estar dos animais e a produção de culturas.

Mais informações: Greenhouse gas emissions and carbon sequestration by agroforestry systems in southeastern Brazil
Imagem: Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo