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Recifes de coral sofrem impactos do aquecimento global

Os recifes de coral ao redor do mundo estão sofrendo impactos severos devido ao aquecimento global. Um time internacional de cientistas analisou dados a respeito dos corais nas últimas quatro décadas e descobriu que a frequência dos eventos de branqueamento subiu significativamente.

O branqueamento consiste em situações nas quais os corais expulsam de seus corpos calcários as algas microscópicas com que vivem em simbiose. As algas produzem alimento e dão cor aos recifes de coral. Dessa forma, uma vez expulsas, os corais se tornam brancos, situação que ocorre sob condições de estresse. E sem o alimento das algas, eles podem morrer.

O estudo abrangeu 100 distintos recifes de coral das regiões tropicais, avaliando a frequência e intensidade de episódios de branqueamento entre 1980 e 2016. Foi identificado uma abrupta diminuição do intervalo de tempo decorrido entre um branqueamento e o seguinte.

De acordo com os cientistas, em todos os locais estudados o tempo entre os eventos caiu cinco vezes nas últimas 4 décadas. No início da década de 1980, a frequência média de eventos de branqueamento era de uma vez a cada 25 a 30 anos. A partir do ano 2010, a média passou para uma vez a cada 6 anos.

Além disso, também foi registrado um aumento na intensidade. Os cientistas afirmaram que branqueamentos em massa de recifes de coral não foram detectados antes da década de 1980, mesmo durante anos de forte El Niño. No presente, a repetição de eventos em escala regional e o branqueamento em massa se tornaram o novo normal.

A alteração na frequência e magnitude dos eventos de branqueamento se deu em três estágios. Antes da década de 1980, o estudo aponta que o branqueamento ocorria apenas localmente. Entre as décadas de 1980 e 1990, um segundo estágio foi caracterizado por eventos maiores durante anos de El Niño, e os primeiros branqueamento em massa registrados. No estágio atual, branqueamentos regionais e em massa surgem independentemente dos ciclos do  El Niño.

A causa identificada pelo estudo para a mudança é o aumento da temperatura das águas tropicais. O calor é o principal fator de estresse para os corais. O estudo mostra que, no estágio atual, a temperatura das águas superficiais durante ciclos intensos de La Niña é maior do que o observado há 40 anos durante os ciclos de El Niño.

Um dos exemplos da alteração pode ser encontrado na Grande Barreira de Corais da Austrália. Os cientistas notam que ela atravessou 4 episódios de branqueamento desde 1998. E recentemente, nos anos de 2016 e 2017, verificou-se um fato inédito: a sucessão consecutiva de episódios de branqueamento.

Mais frequentes e agudos, os eventos de branqueamento ameaçam os recifes de coral. Após episódios severos e prolongados, muitos deles morrem, e os recifes dependem de pelo menos uma década para se recuperarem completamente. No estágio atual, o tempo é bem inferior.

É preciso agir de modo mais agressivo para reduzir a emissão de gases de efeito estufa, alertam os cientistas. A saúde dos recifes de coral depende disso.

Fonte: ARC Centre of Excellence for Coral Reef Studies
Imagem: Unsplash/ Yanguang Lan

One Comment

  1. […] traz inúmeras consequência, como a diminuição da concentração de oxigênio da água, o branqueamento de recifes de coral e o derretimento do gelo marinho e de calotas polares. Em 2017, o aquecimento global continuou a […]

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