Raios! A influência do aquecimento global

O sudeste do Brasil é uma das regiões do mundo com a maior incidência de relâmpagos. Os estragos causados pelos raios incluem o comprometimento de sistemas elétricos, avarias em torres de telecomunicação e edifícios, ou queima de equipamentos. Estima-se que anualmente os prejuízos causados por relâmpagos no Brasil cheguem a 500 milhões de dólares.

Contando com a participação de pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE, estudo publicado no jornal Scientific Research buscou explorar os impactos do aquecimento global na frequência futura de relâmpagos, com foco no estado de São Paulo. E a primeira dificuldade foi estabelecer um método para projetar a ocorrência de relâmpagos, uma vez que esse fenômeno meteorológico não é simulado por modelos climáticos.

A fim de realizar projeções, os pesquisadores identificaram a relação entre a ocorrência de relâmpagos e outras variáveis meteorológicas ligadas à atmosfera e ao oceano, como a temperatura do ar ou das águas e a precipitação. Avaliando os dados disponíveis para o período entre 1999 e 2014, as diversas variáveis foram analisadas de modo a identificar aquelas correlacionadas à ocorrência de relâmpagos.

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Descargas atmosféricas no Estado de São Paulo. O gráfico de cima traz as observações (linha preta) e projeções de cenários de médias (linha azul) e altas emissões (linha vermelha). O gráfico de baixo mostra a frequência de eventos acima e abaixo da média em cada período. Fonte: figura 4 do estudo

Após identificadas as variáveis, os pesquisadores utilizaram as projeções de mudanças das mesmas para o período entre 2017 e 2048. Para tanto, basearam-se nas projeções de dois diferentes modelos climáticos, considerando um cenário de médias e outro de altas emissões de gases de efeito estufa. Tomando a média de frequência de relâmpagos do período das observações, entre 1999 e 2016, os resultados sugerem um incremento na ocorrência desse fenômeno meteorológico. Tempestades com frequência de relâmpago acima da média se tornariam o novo normal.

Mais informações: Climatic Projections of Lightning in Southeastern Brazil Using CMIP5 Models in RCP’s Scenarios 4.5 and 8.5
Imagem: Pixabay