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Um futuro mais seco e mais quente com o aquecimento global

Limitar o aquecimento global a 1,5ºC reduzirá dramaticamente o risco de ocorrência de secas e incêndios florestais, afirma estudo de cientistas da China e do Reino Unido. No caso do aquecimento chegar a 2ºC acima do nível pré-industrial, cerca de um quarto da área terrestre do planeta pode se tornar severamente mais árida.

O estudo se baseou em um conjunto de simulações de 27 diferentes modelos climáticos. Os cientistas consideraram os impactos do aquecimento global na aridez da superfície terrestre do planeta, avaliando um cenário no qual as temperaturas subiriam 1,5ºC acima do nível pré-industrial e outro em que atingiriam 2ºC.

A aridez foi medida a partir da combinação da quantidade de precipitação e da evaporação. Segundo os cientistas, a aridez exerce uma influência crítica sobre diversos aspectos naturais e sociais, entre eles a biodiversidade, a qualidade da água e a agricultura. O aumento da aridificação pode levar a mais secas e a mais incêndios florestais.

De acordo com os cientistas, a região do mediterrâneo, a África do Sul e a costa leste da Austrália registraram maior severidade da seca ao longo do último século. E áreas semi-áridas do México, Brasil, África do Sul e Austrália sofreram com a desertificação.

Ao analisar as simulações dos modelos climáticos, os cientistas procuraram identificar, para os dois cenários, as áreas do mundo nas quais se verificava uma alteração significativa na aridez. Para tanto, eles compararam os resultados dos modelos com os dados e as condições observadas no presente.

Uma das influências do aquecimento global seria a transição de algumas regiões para um novo regime climático normal, de secas moderadas e constantes. Sob essa nova condição, a variabilidade natural que se observa a cada ano tornaria mais comum a ocorrência de secas graves e extremas. Regiões semi-áridas experimentariam condições semelhantes aos atuais climas áridos.

Os resultados indicaram que, para o cenário de aquecimento de 2ºC, entre 20% a 30% da superfície terrestre do planeta passaria por um processo de aridificação. Mas em um cenários de aumento de 1,5ºC na temperatura média global, as áreas afetadas pela aridificação seriam dois terços menores.

As regiões mais afetadas pela aridificação em um cenário de 2ºC foram o Sudeste Asiático, o sul da África, da Austrália e da Europa, e a América Central. Segundo os cientistas, nessas regiões vivem hoje aproximadamente 20% da população mundial.

O estudo alerta que o planeta experimentou um aquecimento global da ordem de 1ºC desde a época da Revolução Industrial. Reduzir as emissões de gases de efeito estufa, de modo a limitar o aquecimento global a menos de 1,5ºC, diminuiria a probabilidade de aridificação em boa parte do mundo.

Fonte: Universidade de East Anglia
Imagem: Pixabay

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