Os beija-flores e o aquecimento global

O aquecimento global influenciará o modo como beija-flores mantém sua temperatura corporal. Em situações de calor extremo, os pequeninos pássaros se tornam inativos e, para manter a temperatura corporal, procuram refúgio. Mas se esses refúgios sofrerem algum distúrbio por causa do aquecimento, as populações de beija-flores terão de migrar para outras regiões, afirma estudo de pesquisadores dos Estados Unidos e da Suíça.

As aves gastam muita energia ao voar e, com isso, produzem muito calor – da mesma forma que uma pessoa quando se exercita. Segundo o estudo, o desafio é perder o calor. As penas que cobrem as aves funcionam como uma camada isolante, impedindo a perda de calor.

Quando não estão voando, o calor das aves se dissipa passivamente através de áreas específicas do corpo onde a pele se encontra mais exposta ao ar, como ao redor dos olhos, nos ombros, nas pernas e pés. As aves também diminuem a temperatura do corpo por meio da evaporação de água da pele.

Em momentos de temperaturas mais altas, no qual a temperatura ambiente se iguala à temperatura corporal das aves, elimina-se a dissipação passiva de calor pelas aves. Muitas espécies adaptam o próprio comportamento, diminuindo a atividade durante os momentos do dia de calor extremo. Ou então buscam abrigos nos quais a temperatura seja mais baixa.

Para os pesquisadores, os beija-flores reúnem diversas características que os tornam uma espécie exemplar para o estudo dos impactos do aquecimento global. Os pequenos passarinhos habitam regiões de clima quente. Eles possuem a habilidade de flutuar durante o voo, o que consome uma quantidade extrema de energia e produz uma grande quantidade de calor corporal. Para satisfazer a demanda de energia, os beija-flores devem se alimentar regularmente.

A partir de levantamentos diretos e de equipamentos que detectam a luz infra-vermelha, os pesquisadores monitoraram a temperatura corporal de cinco espécies diferentes de beija-flores em laboratório e na natureza. O objetivo foi identificar como as temperaturas influenciam os pássaros e seu comportamento.

Os resultados indicaram que a dissipação passiva do calor era eliminada quando a temperatura alcançava entre 36°C e 40°C. Nesses casos, a perda de calor pelos beija-flores dependeria exclusivamente da evaporação de água da pele. Diferenças entre as espécies foram registradas, com aquelas menores possuindo tolerância a níveis de calor entre 3°C e 4°C mais elevados.

Durante o verão, foram registraram temperaturas acima do limite da dissipação passiva de calor entre 6 e 10 horas durante o dia. A fim de lidar com o excesso de calor, os pesquisadores sugeriram que uma das estratégias dos beija-flores era a busca de refúgios na vegetação para se refrescarem. Com isso, manteriam a capacidade de continuar ativos, em busca de alimentos.

O estudo apontou que essa estratégia pode ficar comprometida por causa do aquecimento global. Os aumentos projetados na temperatura média anual e diária tem o potencial de reduzir a disponibilidade de refúgios protetores, utilizados atualmente pelos beija-flores para se protegerem do calor.

Todavia, os pesquisadores apontam a necessidade de mais pesquisa para melhor compreender os limites dos beija-flores ao aumento das temperaturas. E, com isso, avaliar melhor os possíveis impactos do aquecimento global.

Mais informações: Hovering in the heat: effects of environmental temperature on heat regulation in foraging hummingbirds
Imagem: Figura 3 do estudo/ visão lateral da temperatura em infravermelho de um beija-flor