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Aquecimento global tem mais de 100 anos de idade

Não há nada de novo no aquecimento global. Pelo contrário, o fenômeno tem mais de 100 anos de idade, e vem trazendo consequências para o clima ao redor do mundo pelo menos desde 1900, afirmou estudo de cientistas dos Estados Unidos.

Desde a Revolução Industrial, iniciada no século 18, as atividades humanas tem liberado quantidades cada vez maiores de gases de efeito estufa. Com isso, as concentrações atmosféricas desses gases, em particular do dióxido de carbono – CO2 -, sobem e intensificam o efeito estufa da atmosfera. O planeta acumula mais energia e se aquece.

Os componentes e fenômenos do sistema climático respondem ao aquecimento por meio da alteração de suas características. Atualmente, é possível observar essas mudanças, por exemplo, na retração das geleiras continentais e das calotas polares da Antártica e da Groenlândia.

Mas detectar alterações na temperatura e no regime de chuvas causadas pelo aquecimento global ainda representa um grande desafio. O motivo, segundo o estudo, está ligado à grande variabilidade interna do sistema climático e o curto período de dados observacionais existentes.

A fim de superar essas limitações, os cientistas utilizaram uma base de informações a partir de anéis de árvores coletadas ao redor do mundo. Combinando essas informações com simulações de modelos climáticos e dados observacionais recentes, foi possível reconstruir o índice de severidade de seca nos últimos 1.000 anos.

Eles identificaram um sinal claro do efeito do aquecimento global sobre o regime hidrológico e a frequência de secas ao redor do planeta ao longo de todo o século 20. Três períodos distintos puderam ser identificados. No primeiro, entre 1900 e 1949, a influência do aquecimento se manifestou através de secas na Austrália, na América Central, na América do Norte, na Europa, no Mediterrâneo, na Rússia ocidental e no sudeste da Ásia. O oeste da China, e partes da Ásia central, da Índia, da Indonésia e do Canadá experimentaram mais chuvas.

O sinal de influência do aquecimento se enfraqueceu a partir de 1950, momento que se estendeu até por volta de 1975. Isso coincidiu com o aumento da poluição atmosférica causada pela atividade industrial, incluindo a emissão de grandes quantidades de aerossóis.

Composto por pequenas partículas suspensas no ar, os aerossóis afetam a formação de nuvens e refletem a luz solar. Contribuem, dessa forma, para diminuir a quantidade de energia absorvida pelo sistema climático, levando ao resfriamento. O estudo indicou que o aumento dos aerossóis teria contrabalançado os efeitos do aquecimento.

O terceiro período identificado ocorreu a partir da década de 1970. O sinal da influência do aquecimento global voltou a aparecer, expressando a acelerada elevação das concentrações atmosféricas de gases de efeito estufa. O sinal ainda não se mostra tão contundente quanto no início do século passado, porém continua a se fortalecer.

Os cientistas afirmaram que o mundo deverá experimentar, nos próximos 10 anos, uma expansão dos eventos de seca, caso a tendência se mantenha. Com severas consequências, em especial na América do Norte, na Europa e na Ásia. A América do Sul não esteve incluída no estudo.

Centros de produção agrícola estão sob o risco de experimentar condições climáticas permanentemente áridas. Por outro lado, o crescimento das chuvas em regiões úmidas poderá se dar de forma temporalmente concentrada, através do aumento da intensidade e frequência de eventos extremos.

Ele tem mais de 100 anos, só que o aquecimento global ainda não mostrou ao que veio. É melhor se preparar para quando isso acontecer.

Fonte: Universidade de Columbia
Imagem: Unsplash/Redcharlie

Informações científicas e recursos audiovisuais sobre o aquecimento global, o efeito estufa e as mudanças climáticas
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