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Aquecimento global projetado para ser maior do que 2C

O aquecimento global deverá ultrapassar a meta de 1,5°C definida no acordo climático de Paris, segundo estudo realizado pela Universidade de Washington, nos Estados Unidos. A meta foi consequência da Convenção Internacional de Mudanças Climáticas da Organizações das Nações Unidas – ONU. O objetivo da convenção é estabilizar as concentrações atmosféricas dos gases de efeito estufa em um nível que evite interferências antrópicas perigosas no sistema climático.

De acordo com o estudo, os cenários de aquecimento global até 2100 propostos pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas – IPCC na sigla em inglês – não devem ser interpretados como projeções do futuro. Os cenários buscam somente representar como diferentes níveis de emissão de gases de efeito estufa poderiam influenciar o sistema climático no futuro.

Apesar de considerarem possíveis condições socioeconômicos, os cenários do IPCC não adotam uma abordagem estritamente estatística. Em três dos quatro cenários apresentados pelo IPCC, a projeção de crescimento da população mundial é conservadora. Em comparação com as projeções estatísticas recentemente publicadas pela ONU, os cenários do IPCC consideram uma população mundial de 9,7 bilhões de pessoas em 2100, enquanto que a ONU calcula um aumento entre 9,7 e 12,9 bilhões, com uma média de 11,2 bilhões de pessoas em 2100.

Os pesquisadores decidiram aproveitar os dados publicados pela ONU e desenvolver uma previsão estatística das emissões de gás carbônico – CO2 – e consequentemente da mudança de temperatura média global em 2100. Além dos dados da população, foram utilizados também informações sobre o Produto Interno Bruto – PIB – per capita de cada país e a intensidade do uso de carbono, tomando por base dados do período entre 1960 a 2010.

Os resultados podem ser tomados como projeções, alertam os autores, assumindo-se que as tendências estatísticas observadas nos últimos 50 anos continuem sem alterações significativas no futuro. Nesse caso, conforme ilustrado pela linha vermelha nos gráficos abaixo, as emissões anuais de CO2 devem permanecer aumentando, e com elas a quantidade acumulada de emissões atmosféricas de CO2. O estudo indicou maior probabilidade de que as emissões fiquem em uma faixa correspondente aos cenários de médias emissões do IPCC (RCP 4.5 e RCP6.0), sinalizada nos gráficos na cor rosa escura.

Less likelihood 2C

A partir das concentrações de CO2, o estudo avaliou que a temperatura média global irá aumentar entre 2 e 4,9°C, com uma mediana de 3,2°C. A chance de que o aumento seja inferior a 2°C foi menos de 5%, e menos de 1% a chance de ser inferior a 1,5°C. Dessa forma, a possibilidade de que as metas estabelecidas no acordo de Paris sejam cumpridas se mostra bastante pequena.

Ao avaliar os resultados, os pesquisadores identificaram que, dos três fatores considerados no modelo estatístico utilizado, o que exercia menor influência sobre a quantidade de emissões de gases de efeito estufa era a população. O incremento das emissões foi condicionado pelo crescimento tanto do PIB per capita quanto da intensidade do uso do carbono. Como medidas voltadas para a redução do crescimento do PIB são improváveis, os pesquisadores sugerem que as políticas de mitigação do aquecimento global deveriam focar na redução da intensidade do uso do carbono.

Mais informações: Less than 2°C warming by 2100 unlikely
Imagem: Pixabay

 

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