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Aquecimento global pode levar a uma crise econômica mundial

Cumprir a meta do acordo climático de Paris evitará graves danos econômicos, alertou estudo de pesquisadores de universidades e um centro de pesquisa da Austrália. Em um cenário de maior aquecimento global, o mundo poderá entrar em um estado de grande depressão econômica permanente.

As projeções dos impactos económicos das mudanças climáticas em geral sugeriram que os danos seriam relativamente pequenos para a maioria das faixas de aumento da temperatura futura. Todavia, segundo o estudo, alguns autores apontaram que os modelos econômicos subestimam seriamente os impactos.

A falha dos economistas e de seus modelos ocorreria em função principalmente de dois motivos. Em primeiro lugar, os modelos utilizam uma escala espacial limitada, considerando somente impactos médios agregados no nível dos países e das regiões. Em segundo lugar, eles adotariam suposições não razoáveis sobre a taxa de desconto.

Mas as limitações dos estudos econômicos vão além do que foi apontado pelo estudo. Outro artigo publicado recentemente expôs uma quantidade maior de graves limitações dos modelos, mostrando como as projeções podem subestimar significativamente os danos futuros. 

Para superar algumas dessas limitações, os pesquisadores trabalharam com um modelo econômico inovador e de larga escala. Eles exploraram os efeitos econômicos de vários cenários futuros de emissões de gases de efeito estufa, implicando em elevações da temperatura média global entre 1°C e 4°C, e de evolução socioeconômica.

A análise abrangeu de forma individual a economia de 139 países, levando em consideração 57 amplos grupos de commodities. Também reproduziu o comércio internacional e alguns dos impactos projetados do aquecimento global, como, por exemplo, a perda na produtividade agrícola, o aumento do nível do mar ou efeitos na saúde.

Os pesquisadores ressaltaram que o modelo seria conservador, porque deixou de fora diversos efeitos adversos provocados pela mudança do clima. Entre outros, o modelo não incluiu as potenciais perdas econômicas decorrentes de eventos climáticos extremos ou da alteração da frequência de incêndios.

No cenário de elevação da temperatura em 4°C até 2100, o estudo calculou que as perdas anuais do PIB global somariam mais que US$ 23 trilhões. Isso seria o equivalente a aproximadamente 7% do PIB global projetado para 2100.

No caso do Brasil, a retração anual em longo prazo do PIB no cenário de 3°C foi calculada em cerca de 2% ao ano até 2100. Os efeito econômicos, portanto, seriam semelhantes à atual recessão vivida pelo país, na qual o PIB nacional caiu quase 9% entre 2014 e 2016.  

Mas no longo prazo, a queda do PIB brasileiro apresentaria uma queda ainda mais acentuada, de aproximadamente 7% ao ano.

Os resultados indicaram efeitos variáveis em função do tempo, da região e do setor econômico. Em geral, a influência negativa aumentou com o passar do tempo, sendo mais aguda em países próximos ao equador, africanos e asiáticos.  A queda no PIB de países do Sudeste Asiático poderia chegar a até 21% por ano. Nos países em desenvolvimento da África, a queda estimada foi ainda maior, de aproximadamente 27% ao ano.

Alcançar a meta do acordo climático de Paris, limitando o aquecimento a no máximo 2° C acima dos níveis pré-industriais, evitaria perdas econômicas significativas. O cenário de 3°C causaria perdas anuais quase US$ 4 trilhões maiores em termos do PIB projetado para 2100. No cenário de 4°C, as perdas globais anuais do PIB seriam mais que US$ 17 trilhões maiores do que no cenário de 2°C.

As fortes quedas no PIB global a longo prazo farão a receita dos estados nacionais cair. Dessa forma, segundo os pesquisadores, os governos enfrentarão grande pressão fiscal. E uma vez que eventos climáticos extremos não entraram nas estimativas do estudo, o provável é que a pressão sobre os orçamentos governamentais seja bem maior do que o projetado pelo estudo.

Os impactos do aquecimento global irão se traduzir em profundos desafios sociais e econômicos. O estudo representou um alerta de que, quanto maior o aumento da temperatura, maior o tamanho da crise da economia.

Fonte: Pursuit/ Universidade de Melbourne
Mais informações: The Effects of Climate Change on GDP by Country and the Global Economic Gains From Complying With the Paris Climate Accord
Imagem: figura 3 do estudo – mapa de perdas econômicas ao longo de tempo em um cenário de 3°C

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