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Aquecimento favorece especiação de mosquitos

A evolução dos mosquitos coincidiu com episódios de mudanças nas concentrações atmosféricas de dióxido de carbono – CO2 – e na temperatura média global, indicou estudo de pesquisadores de universidades da China e do Reino Unido.

A descoberta é um sinal de que o aquecimento global pode favorecer a proliferação e a abundância de mosquitos ao redor do mundo, com implicações para a saúde humana.

Segundo o estudo, a ciência concentrou esforços na avaliação dos efeitos do aquecimento global interfere em espécies animais e vegetais. Mas poucos estudos haviam sobre possíveis interferências na riqueza de espécies ou na taxa de diversificação de insetos.

Os cientistas investigaram os mosquitos da família Culicidae, ordem Diptera. Esse grupo de insetos possuem relevância médica porque as fêmeas adultas de muitas espécies se alimentam do sangue de animais vertebrados. Constituem vetores de parasitas nematóides, bactérias e vírus.

É o caso, por exemplo, do mosquito Aedes Aegypt, transmissor da zika, da dengue, da chikungunya e da febre amarela, e do mosquito Anopheles, transmissor da malária.

Estima-se que os patógenos transmitidos pela picada dos mosquitos levem à morte de um milhão de pessoas a cada ano.

O objetivo do estudo foi identificar se o processo de especiação – a formação de novas espécies – dos mosquitos teria alguma correlação tanto com a temperatura média global quanto com a concentração atmosférica de CO2. Para tanto, os pesquisadores analisaram a árvore genealógica dos mosquitos nos últimos 195 milhões de anos.

Foram utilizados 550 levantamentos elaborados por fontes científicas entre 1981 e 2014. Fósseis bem preservados contribuiram para precisar melhor o surgimento de novas espécies. A partir daí, comparou-se a taxa de especiação com a evolução do CO2 atmosférico e da temperatura global.

O estudo mostrou que o aquecimento global e, em especial, altas concentrações atmosféricas de CO2 estiveram fortemente correlacionadas com o crescimento das taxas de especiação de mosquitos. No entanto, vários outros fatores também estariam envolvidos na evolução dos insetos, como, por exemplo, a diversificação de mamíferos.

Com base nos resultados, o estudo alertou que o aquecimento global e o aumento do CO2 atmosférico criam condições propensas à maior taxa de especiação de mosquitos. É possível que aumentem a probabilidade de novas interações entre patógenos – como os vírus – e os mosquitos enquanto vetores.

Esse efeito deverá se somar ao aumento na distribuição dos mosquitos, projetado para a maioria dos cenários futuros de mudanças climáticas. Vetores e doenças poderão se restabelecer em regiões onde haviam sido erradicados.

Mais informações: Tang, Chufei, et al. “Elevated atmospheric CO2 promoted speciation in mosquitoes (Diptera, Culicidae).” Communications biology 1.1 (2018): 182.
Imagem: Pixabay

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