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Aquecimento elevará demanda de eletricidade e água

O aquecimento global poderá elevar o consumo de eletricidade e de água de centros urbanos no futuro breve para muito além do previsto pelos modelos atuais. Ainda é muito limitado o uso de modelos que consideram os efeitos do aquecimento e das mudanças climáticas sobre a demanda integrada de água e energia, apontou estudo de pesquisadores de universidades da Alemanha e dos Estados Unidos.

Existe uma conexão entre usos de água e de energia. Por exemplo, nas residências as pessoas utilizam eletricidade e água ao mesmo tempo em uma máquina de lavar roupa. Durante o inverno, energia é utilizada para o aquecimento de água. Água representa uma alternativa de geração de energia hidrelétrica, enquanto que o tratamento e distribuição de água consome eletricidade.

De acordo com os pesquisadores, os setores energético e de saneamento trabalham e operam de modo isolado. O planejamento também se dá de forma separada, incluindo as projeções de oferta e demanda futuras. Mas em um contexto de mudanças climáticas, é fundamental considerar, do lado da demanda, conjuntamente as possíveis alterações no uso de eletricidade e água.

Os pesquisadores desenvolveram um modelo novo, integrando a demanda de água e de eletricidade. O modelo incluiu uma quantidade maior de variáveis climáticas, além de temperatura e precipitação. Crescimento populacional ou mudanças tecnológicas não foram considerados. A análise se concentrou em como a demanda atual poderia ser afetada.

A partir de séries de dados das empresas de serviços públicos, dados de serviços meteorológicos, e técnicas de inteligência artificial, o modelo realizou projeções da alteração da demanda atual para dois cenários de mudanças climáticas. O primeiro representou um aquecimento de 1,5ºC acima dos níveis pré-industriais até 2030, e o segundo, de 2ºC até 2055.

A opção foi limitar a análise para a região geográfica do centro-oeste dos Estados Unidos. O estudo identificou que a inclusão de um número maior de variáveis climáticas torna o modelo mais preciso. Em função das alterações no clima, o uso regional de eletricidade e água no verão poderia crescer em 19% e 7%, respectivamente.

Em seguida, os pesquisadores aplicaram o modelo para a realidade de 6 grandes cidades regionais. Em média, para cada centro urbano, o aumento durante o verão na demanda de energia variou entre 10% a 20%, e na demanda de água, entre 2% e 5%.

Observou-se uma grande diferença entre os cenários futuros avaliados. Por exemplo, no caso da cidade de Chicago, as projeções sugeriram um crescimento da demanda por eletricidade em 12% e de água em 4% no cenário de 1,5°C. O crescimento seria de 20% e 6%, respectivamente, no cenário de 2ºC.

Os modelos atuais, aplicados isoladamente a cada setor, podem subestimar a demanda futura por eletricidade e água. O estudo serve de alerta para a importância de se aprimorar o planejamento dos setores energético e de saneamento. Além de tratar a oferta e demanda de água e energia de modo integrado, o planejamento precisa utilizar ferramentas que levem em conta cenários futuros de mudanças climáticas.

Fonte: Universidade de Purdue
Mais informações: Obringer, R., Kumar, R. & Nateghi, R. Managing the water–electricity demand nexus in a warming climate. Climatic Change 159, 233–252 (2020).
Imagem: Unsplash/ Justin Eisner

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