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Com o aquecimento, podem crescer doenças por fungos

Não há um levantamento adequado sobre a influência do aquecimento global e das mudanças climáticas na incidência de doenças causadas por fungos. O tema tem sido subestimado e esquecido, afirmou artigo de cientistas brasileiros, apesar do risco de aumento desse tipo de doença.

Atualmente, a pesquisa e o tratamento de problemas de saúde causados por fungos são insatisfatórios. Na América Latina, as doenças ligadas a fungos são frequentemente negligenciadas. De acordo com o artigo, existem poucas remédios antifúngicos aprovados. A pesquisa e desenvolvimento de novas drogas recebeu menos de 0,5% do investimento global.

Um dos fatores por trás do baixo investimento diz respeito ao fato de que as doenças fúngicas não consistem em um bom negócio. Desenvolver novos tratamentos exige financiamento significativo em pesquisa dedicada.

No entanto, as taxas de mortalidade causada por fungos são significativamente menores do que de outros tipos de doença. Com isso, o financiamento acaba direcionado para aquelas doenças com taxas de mortalidade mais elevadas.

Além dos seres humanos, os fungos atacam também diversos cultivos agrícolas. Estima-se que um terço das culturas em todo o mundo seja prejudicada por doenças fúngicas. Inclui as culturas de arroz, trigo, milho, batata e soja. Nos trópicos, infecções de fungos afetam também o plantio de banana, café, cacau, manga, entre outros.

Fungos provocam doenças em diversas espécies de animais. Um dos principais polinizadores em todo o planeta, as abelhas são vulneráveis a doenças fúngicas, com impactos potencialmente severos. Fungos atacam também populações de uma espécie de morcego e de várias espécies de rãs, efeitos que podem estar se intensificando com o aquecimento global.

Não se deve ver os fungos apenas pelo lado negativo, ressaltaram os cientistas. Eles também cumprem um papel fundamental no funcionamento dos ecossistemas. Contribuem para o crescimento de plantas, para o nutriente dos solos, ou para o aumento da tolerância ao estresse. Espécies nocivas podem ser controladas por outras espécies.

O número reduzido de medicamentos antifúngicos representa o calcanhar de aquiles da medicina. A emergência de resistência de fungos agravaria o quadro atual. Outra ameaça surge devido ao aquecimento global. Espécies que não apresentam tolerância térmica para infectar mamíferos, em um mundo de temperaturas mais elevadas, podem adquirir essa capacidade.

As atividades humanas levaram o sistema climático a um processo de transformação em velocidade jamais registrada no passado. Já foi dada a largada da corrida de 100 metros rasos, na qual todas as espécies do planeta correm para se adaptar.

Para não ficar para trás, será necessário reverter a situação atual, incrementando o investimento em pesquisa e desenvolvimento sobre biologia e patogênese dos fungos. E assim, prevenir perdas na agricultura, perdas ambientais e danos à saúde humana.

Mais informações: Almeida, F., Rodrigues, M.L. and Coelho, C., 2019. The still underestimated problem of fungal diseases worldwideFrontiers in microbiology10.
Imagem: Flickr/London School of Hygiene & Tropical Medicine

Informações científicas e recursos audiovisuais sobre o aquecimento global, o efeito estufa e as mudanças climáticas
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