Press "Enter" to skip to content

Aquecimento de 2ºC a 3ºC fez mar subir 16 metros

A última vez em que o sistema climático esteve entre 2ºC e 3ºC acima dos níveis pré-industriais foi durante o Plioceno, há mais de três milhões de anos atrás. Nessa época, o nível médio do mar estava 16 metros acima do nível atual, afirmou estudo de cientistas de universidades da Espanha, dos Estados Unidos e da Romênia.

Investigar as tendências do nível do mar durante épocas mais quentes do passado, como o Plioceno, contribui para o entendimento de como as calotas polares e os oceanos responderão a um período de aquecimento global prolongado. Com isso, pode-se melhorar as projeções do efeito do aquecimento na elevação do nível do mar.

A temperatura média global já subiu mais de 1ºC acima dos níveis pré-industriais, e continuará a crescer caso não se eliminem as emissões de gases de efeito estufa. Em resposta ao aquecimento, o nível do mar está subindo. Estima-se que entre 1870 e o ano 2000, o aumento foi de mais de 150 milímetros. A taxa de aumento do nível do mar tem se acelerado nas últimas décadas.

Gráfico do aumento do nível médio do mar
Tendência de aumento do nível do mar observada desde 1870 em resposta ao aquecimento global. Fonte: NASA.

Segundo o estudo, pesquisas anteriores buscaram estimar, a partir de diversos registros paleoclimáticos e metodologias, o nível médio global do mar durante o período quente do Plioceno. No entanto, as estimativas variavam em dezenas de metros. Não era possível, a partir delas, avaliar se as calotas polares da Groenlândia e da Antártica ficaram estáveis ou instáveis.

Uma maior instabilidade das calotas polares se traduziria em maior perda de gelo. Nesse caso, além de vulneráveis ao aquecimento prolongado, elas provocariam um aumento maior do nível do mar.

A fim de realizar um levantamento mais preciso do nível do mar durante o Plioceno, o estudo utilizou depósitos de espeleotemas de uma caverna da ilha de Maiorca, no oeste do Mar Mediterrâneo. A caverna fica a 100 metros de distância da costa. Nela, o lençol freático coincide com o nível do mar.

Os depósitos de espeleotemas da caverna se formaram a partir da interface entre a água salgada do mar e o ar no interior da caverna, durante épocas em que o nível médio do mar era maior do que no presente. Elas servem, dessa forma, como uma escala.

Os cientistas encontraram na caverna seis depósitos de espeleotema em elevações entre 22,5 e 32 metros acima do nível do mar no presente. Em laboratório, eles analisaram as formações e puderam estabelecer a data em que elas se formaram, entre 4,4 e 3,3 milhões de anos atrás. Portanto, elas surgiram durante o Plioceno, servindo como indicador do nível do mar naquela época.

Para eliminar a influência de outros fatores na formação dos espeleotemas, como a subsidência do terreno da ilha de Maiorca, o estudo utilizou modelos numéricos e estatísticos. A conclusão foi de que, no período do Plioceno em que as temperaturas médias estavam entre 2ºC e 3ºC acima dos níveis pré-industriais, o nível do mar estava 16,2 metros acima do nível presente.

Em um outro período do Plioceno, no qual as temperaturas médias alcançaram 4ºC acima dos níveis pré-industriais, o nível do mar alcançou 23,5 metros em relação ao nível atual.

As projeções do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas – IPCC, na sigla em inglês -, incluem cenários em que a temperatura média global crescerá entre 2ºC e 4ºC acima dos níveis pré-industriais até 2100. Os resultados do estudo indicam que as calotas polares são sensíveis a tais níveis de aquecimento.

Mesmo que se consiga limitar o aquecimento global, ainda existirá o risco de que o nível do mar continue subindo em longo prazo.

Fonte e imagem: Universidade do Novo México
Mais informações: Dumitru, Oana A., et al. “Constraints on global mean sea level during Pliocene warmth.” Nature (2019): 1-7.

Informações científicas e recursos audiovisuais sobre o aquecimento global, o efeito estufa e as mudanças climáticas
%d blogueiros gostam disto: