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Aquecimento de 2C pode elevar em 6m o nível do mar

Parte da calota polar do leste da Antártica derreteu durante períodos de aquecimento no passado geológico terrestre, identificou estudo de um time internacional de cientistas. O mesmo poderia acontecer em resposta ao atual aquecimento global, levando a uma elevação mais acentuada do nível médio do mar.

As calotas polares da Groenlândia e da Antártica estão em retração devido ao aquecimento. No caso da Antártica, a região mais vulnerável e mais pesquisada é a região oeste, onde a maior parte das enormes geleiras que compõe a camada de gelo polar fica assentada em terra abaixo do nível do mar.

Por causa disso, as geleiras ficam expostas ao aumento da temperatura das águas, o que leva ao derretimento.

O lado leste, por sua vez, ocupando cerca de dois terços do continente antártico, apresenta geleiras que, na grande maioria, ficam sobre rocha localizada acima do nível do mar. O entendimento atual, cada vez mais debatido no meio científico, é de que a região leste seria menos sensível ao aquecimento do sistema climático.

Existem, no entanto, três principais áreas no leste da Antártica nas quais grandes geleiras se encontram sobre rochas abaixo do nível do mar. O estudo investigou uma delas, a bacia Subglacial Wilkes. O objetivo foi identificar se ocorreu retração da geleira durante outros períodos interglaciais dos últimos 450 mil anos.

Os cientistas coletaram e analisaram quimicamente sedimentos acumulados ao longo de milhares de anos no fundo do mar. O movimento do gelo em direção ao mar tritura as rochas do continente, transportando sedimento para o oceano.

Com o passar do tempo, vão se formando camadas de sedimento que registram as taxas de erosão provocadas pelo avanço do gelo. Ao analisar esse material, é possível reconstruir a dinâmica da geleira ao longo dos séculos, identificando períodos de retração ou de avanço.

Os resultados apontaram que a geleira de Wilkes recuou durante períodos interglaciais anteriores, nos quais a temperatura média global esteve cerca de 2°C acima dos níveis pré-industriais.

Os principais recuos registrados foram nos períodos interglaciais ocorridos há 400.000 e 125.000 anos atrás. Estima-se que o nível médio do mar subiu entre 6 e 13 metros acima dos níveis atuais, em grande parte devido à perda de gelo da calota polar da Antártica.

Dessa forma, o estudo mostrou que o aquecimento de 2°C acima dos níveis pré-industriais, se mantido ao longo de um par de milênios, provocou no passado a retração da calota polar e a elevação do nível do mar.

O mesmo processo poderá ser inevitável, alertaram os pesquisadores, caso o aquecimento global em curso ultrapasse 2°C. Em escala de tempo milenar, corre-se o risco da retração das calotas polares, elevando-se significativamente o nível médio do mar. As regiões costeiras ao redor do mundo seriam profundamente afetadas.

Para minimizar esse risco, deve-se reduzir a zero as emissões de gases de efeito estufa, de forma a se alcançar a meta do acordo climático de Paris.

Fonte: Imperial College
Imagem: Unsplash/ Matt Palmer

Informações científicas e recursos audiovisuais sobre o aquecimento global, o efeito estufa e as mudanças climáticas
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