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Aquecimento alterou a energia da atmosfera

O aquecimento global está alterando a distribuição de energia na atmosfera, com efeitos sobre os fenômenos meteorológicos extratropicais durante o verão, sugeriu estudo de pesquisadores de uma universidade dos Estados Unidos.

Por causa dessa alteração, nas latitudes médias do hemisfério norte do planeta, as tempestades ganham intensidade, enquanto que condições estagnadas se tornam mais frequentes. As regiões afetadas são a América do Norte, a Ásia e a Europa.

Na região de latitudes médias, grandes sistemas meteorológicos, chamados de ciclones extratropicais, controlam as condições do Tempo. Os ciclones extratropicais criam frentes de temperatura e umidade ao longo de vastas áreas do hemisfério norte. Eles provocam nebulosidade, chuvas leves, fortes ventos ou tempestades.

O gradiente de temperatura meridional da atmosfera – a diferença das temperaturas médias entre o equador e os pólos – constitui a principal fonte de energia dos ciclones extratropicais. Junto com a umidade do ar, o gradiente de temperatura produz uma quantidade de energia que fomentará os eventos climáticos.

Quanto maior a diferença da temperatura entre o equador e os pólos, mais energia e, portanto, mais força terão os ciclones extratropicais.

Mas o aquecimento global está modificando o gradiente meridional de temperatura da atmosfera. A taxa de aumento das temperaturas médias do Ártico tem superado a taxa de aumento da temperatura no restante do planeta.

Nas últimas décadas, as temperaturas subiram mais no pólo norte do que em outras regiões, um fenômeno previsto pela ciência e chamado de amplificação polar. Com isso, tem diminuído o gradiente de temperatura entre o equador e o Ártico.

Os cientistas investigaram se a queda afetaria a energia disponível na atmosfera para a formação de ciclones extratropicais. Para tanto, revisaram uma série histórica de dados climáticos – até a década de 1970 -, reconstruindo a evolução da temperatura e umidade ao longo do tempo em várias altitudes da atmosfera.

Ao verificar as condições de temperatura e umidade durante os meses do verão em regiões entre 20 e 80 graus de latitude, o estudo estimou a quantidade de energia disponível na atmosfera. Detectou-se uma redução em 6% na energia dos ciclones extratropicais durante o verão desde 1979.

Por outro lado, ao contrário dos sistemas de larga escala dos ciclones extratropicais, foi estimado que a energia presente disponível para alimentar tempestades menores e locais subiu teria subido em 13%.

Dessa forma, o estudo conseguiu conectar uma alteração na atmosfera média, resultante do aquecimento global, às mudanças em fenômenos meteorológicos e climáticos locais.

Fonte: MIT
Imagem: Nasa/ Jesse Allen – ciclones extratropicais próximos da Islândia

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