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Aquecimento pode afetar produção de milho

Eventos climáticos extremos irão se tornar o novo normal a partir de 2020, caso o aquecimento global alcance 1,5°C acima dos níveis pré-industriais. E com isso aumentarão as perdas na produção global de milho, sugeriu estudo de pesquisadores de um centro de pesquisa da Europa.

O milho constitui o principal tipo de cultivo em todo mundo, ultrapassando a marca de 1 bilhão de toneladas produzidas a partir de 2013. Segundo o estudo, os Estados Unidos abriga a principal área de plantio, sendo realizado por meio de irrigação.

Originário dos trópicos, o milho ainda é cultivado em países da região, usualmente em regimes dependentes da chuva. É o principal grão utilizado para a alimentação humana e animal.

A temperatura ideal de crescimento da planta se situa entre 28°C e 32°C. Ele é mais tolerante à temperaturas elevadas do que outros importantes tipos de grão, como o arroz e o trigo. No entanto, a cultura apresenta sensibilidade às condições climáticas anômalas, em especial as ondas de calor e as secas.

Pesquisas anteriores a respeito dos impactos do aquecimento global sobre a produção agrícola indicaram a cultura de milho como a mais afetada negativamente. Os pesquisadores buscaram detalhar esses efeitos negativos.

Eles desenvolveram uma análise estatística para identificar a influência de ondas de calor e de secas na variabilidade e tendências da produção mundial de milho. Foram levantados e corrigidos os dados nacionais de produção de milho, abrangendo o período entre 1980 e 2010.

Gráfico de efeito das ondas de calor e secas na produção mundial de milho
O gráfico mostra a produção mundial de milho entre 1980 e 2010 – linha preta. A linha cinza aponta a produção total ideal, enquanto que a linha vermelha, a produção esperada (produção ideal menos os efeitos das ondas de calor e secas). Fonte: adaptado da figura 1 do estudo.

A partir de dados climatológicos do mesmo período, o estudo estimou os efeitos dos eventos extremos de ondas de calor e de secas na produção mundial anual.

Em um modelo climático, projetou-se, para um cenário de altas emissões de gases de efeito estufa, a modificação da frequência e da intensidade dos eventos extremos. Com base nos efeitos atuais, o estudo estimou as perdas futuras do cultivo do milho.

Entre 1980 e 2010, verificou-se uma perda na produção de milho devido à ondas de calor e secas em quase todo o mundo. Essas perdas foram compensadas por uma redução dos efeitos da variabilidade climática nos Estados Unidos.

Contudo, a estabilização do cultivo nos Estados Unidos se deu às custas de uma grande crescimento da irrigação, com efeitos insustentáveis sobre os níveis da água subterrânea.

Gráfico da projeção dos efeitos das ondas de calor e secas na produção mundial de milho
Projeção dos efeitos futuros de ondas de calor e secas na produção mundial de milho. Fonte: adaptado da figura 2 do estudo.

Em relação ao futuro, as simulações mostraram que eventos extremos que ocorrem atualmente uma vez a cada 10 anos se tornarão a norma quando o aquecimento global alcançar 1,5°C acima dos níveis pré-industriais.

No cenário estudado, esse aquecimento acontece a partir do ano 2020. Os impactos dos extremos se fariam sentir especialmente nos Estados Unidos, mas afetaria também inúmeras outras regiões produtoras. Apenas na Ucrânia e a Rússia o cultivo permaneceria estável.

Em um nível de aquecimento global de 2°C acima dos níveis pré-industriais, o estudo ressaltou que a produção mundial de milho poderia enfrentar uma queda sem precedentes.

Medidas de adaptação serão necessárias para manter a cultura do milho no futuro. Entre elas, a relocação das áreas de plantio ou estratégias de manutenção das áreas atuais.

Mais informações: Zampieri, M., Ceglar, A., Dentener, F., Dosio, A., Naumann, G., Van Den Berg, M., & Toreti, A. (2019). When will current climate extremes affecting maize production become the norm?Earth’s Future.
Imagem: Pixabay

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