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Animais ajudam a floresta amazônica a sequestrar carbono

O papel das árvores no sequestro de carbono pelas florestas tropicais é bem conhecido pela ciência. Mas um estudo de pesquisadores da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, revelou que o conhecimento científico do ciclo de carbono nas florestas estava incompleto. Ignorava-se a real contribuição da abundância e diversidade de animais vertebrados, especialmente os mamíferos.

Reconhecia-se anteriormente a participação dos animais no ciclo de carbono das florestas tropicas, por meio da ingestão, digestão, respiração e decomposição. Entretanto, o estudo mostrou que a importância da biodiversidade animal para o sequestro de carbono é maior do que se pensava. De acordo com os pesquisadores, não é possível compreender a totalidade do ciclo de carbono com uma análise somente da vegetação.

O estudo partiu da hipótese de que a biodiversidade influencia positivamente o funcionamento dos ecossistemas.  Os cientistas consideraram qual seria a influência sobre o ciclo de carbono. Todavia, verificar a relação indireta entre biodiversidade animal e sequestro de carbono impunha grandes dificuldades. Exigiria o levantamento de uma vasta quantidade e variedade de dados durante longo período de tempo. 

A solução foi buscar o apoio das comunidades indígenas Makushi, Wapishana e Waiwai. Sob a coordenação dos cientistas, formaram-se cerca de 340 técnicos indígenas, cujo trabalho se estendeu por mais de três anos na Amazônia. O levantamento  incluiu a identificação do número, diversidade e potencial de armazenamento das árvores da floresta. Eles também observaram a presença e atividades de animais vertebrados, incluindo grandes mamíferos, pássaros, répteis e anfíbios.

O pequeno batalhão de pesquisadores indígenas coletou uma quantidade fenomenal de dados. Foram reunidos mais de um milhão de registros. Entre eles mais de 130.000 avistamentos de animais vertebrados individuais, e sinais indiretos de pouco mais de 190.000, em um total de 218 diferentes espécies. Os técnicos colheram evidências de cerca de 43.000 eventos de alimentação, detalhando-se o tipo de alimento consumido.

Nos últimos seis meses do levantamento de campo, amostras de solo da floresta foram colhidas em 825 pontos diferentes. As amostras foram analisadas em laboratório para quantificar a quantidade de carbono armazenada. Os cientistas então cruzaram os dados do monitoramento dos animais com os dados da análise dos solos. Esses conjuntos de dados foram referenciados com níveis de carbono provenientes de 825 amostras de solo colhidas nos últimos seis meses do trabalho de campo.

Os resultados indicaram que os locais com a maior concentração de biomassa e de carbono nos solos coincidia com a áreas nas quais foram registradas a maior diversidade de espécies tanto animais quanto de árvores. Segundo o estudo, essa co-relação entre diversidade e sequestro de carbono seria mediada pelas interações alimentares dos vertebrados – quando um animal se alimenta de outro ou de frutas.

Os dados detectaram que nas áreas com alta diversidade de espécies a frequência das interações alimentares era maior. Com isso, há uma maior disponibilidade de material orgânico no chão da floresta, na forma de remanescentes da alimentação dos animais. O estudo sugere que esse material estimula a diversidade e a abundância de micróbios nos solos. Estes, por sua vez, converteriam os restos alimentares em carbono, impulsionando o sequestro pelos solos.

Dessa forma, análises que não considerarem a totalidade de um ecossistema sofrerão inevitavelmente de parcialidade ao abordar o ciclo de carbono, como demonstrou o estudo para o caso da floresta amazônica. E ações de mitigação do aquecimento global através do sequestro de carbono serão mais eficientes se incluírem a preservação da diversidade da fauna e da flora.

Produzido por um dos autores do estudo, o vídeo abaixo (em inglês) apresenta a síntese do estudo.

 

Mais informações: Stanford News
Imagem: Flickr/ Ana Cotta©

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