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Áreas protegidas da Amazônia mitigam o aquecimento global

As áreas protegidas armazenam mais da metade de todo o carbono presente na Amazônia, afirma estudo de pesquisadores brasileiros. Por serem menos vulneráveis ao risco de desmatamento, as áreas protegidas tem valor estratégico para a conservação do meio ambiente e para a mitigação do aquecimento global.

Cerca de 20% de todo o carbono contido na vegetação mundial está na Amazônia. Na porção brasileira, correspondendo a dois terços de toda a Amazônia, o impacto do desmatamento tem sido extremo. O estudo destaca que a área de floresta desmatada totaliza cerca de 673.000 km2, duas vez o tamanho do estado de Goiás. A área de floresta degradada entre 1997 e 2013 somava aproximadamente 92.000 km2, quase o mesmo tamanho do estado de Santa Catarina. Boa parte do carbono presente nessas áreas foi transferido para a atmosfera na forma de dióxido de carbono – CO2 – e metano – CH4.

Estimativas sugerem que o estoque de carbono da floresta amazônica caiu 16,7% entre 1970 e 2014. Originalmente de 67,2 gigatoneladas de carbono, o estoque foi reduzido para 56 gigatoneladas devido ao desmatamento. A criação de áreas protegidas surgiu como estratégia de conservação da biodiversidade e de proteção a comunidades tradicionais, como índios e quilombolas. Até 2014, havia ganho o status de área protegida 43% da Amazônia Legal, ou cerca de 2,2 milhões de quilômetros quadrados.

As áreas protegidas constituem a forma mais eficiente de redução do desmatamento e da degradação florestal, tanto no presente quanto no futuro. Com isso, as áreas protegidas também desempenham um papel fundamental na manutenção dos estoques de carbono da Amazônia. Mas poucas estimativas haviam sobre a quantidade de carbono armazenado na vegetação florestal e não florestal da Amazônia brasileira.

Os pesquisadores calcularam a quantidade de carbono a partir do mapa mais detalhado da biomassa da Amazônia, publicado recentemente. Incluíram áreas de vegetação florestal e não florestal. A quantidade original de carbono foi reconstruída com base no mapeamento de biomassa, de forma a quantificar os impactos do desmatamento sobre o estoque de carbono dentro e fora de áreas protegidas.

Mapa com indicação da densidade média de carbono das áreas protegidas da Amazônia Legal e do bioma amazônico. Fonte: figura 1 do estudo.

Os resultados sugerem que, em 2014, as áreas protegidas da Amazona Legal continham aproximadamente 33,4 gigatoneladas de carbono, enquanto que as áreas protegidas localizadas no bioma amazônico continham um pouco menos, cerca de 32,7 gigatoneladas. As áreas estocavam em média entre 158,9 e 166 toneladas de carbono por hectare, representando 57% do total da Amazônia Legal em 2014 e 58,5% do total no bioma Amazônia.

O estudo aponta que a relevância das áreas protegidas vai além da conservação biológica e a manutenção de populações humanas tradicionais. Elas também tem sido fundamentais para a manutenção dos estoques de carbono da Amazônia no presente e no futuro.

Mais informações: Carbon stocks and losses to deforestation in protected areas in Brazilian Amazonia
Imagem: Flickr/ Ana Cotta

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