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Ajuste na estimativa do sequestro de carbono da atmosfera

Os manguezais são considerados como um importante ecossistema para o sequestro e armazenamento de carbono da atmosfera. Mas as estimativas da quantidade de carbono presente em muitas regiões de manguezais ao redor do mundo estavam incorretas, identificou estudo de um grupo de cientistas de universidade brasileiras, da Costa Rica e dos Estados Unidos.

Os ecossistemas presentes nas zonas costeiras acumulam uma quantidade maior de carbono do que liberam para a atmosfera. Por isso, eles constituem sumidouros de carbono. Um desses ecossistemas, encontrado em diversos ambientes costeiros, é formado pelos mangues, um tipo de vegetação tropical adaptada à água salgada.

O estudo investigou a região dos neotrópicos, uma faixa abrangendo desde o sul dos Estados Unidos até a América do Sul onde estão 30% dos mangues do mundo. Foram coletadas amostras de solo de 36 locais diferentes, da costa da Flórida até o sul da Amazônia, medindo-se a quantidade de carbono.

Com essas informações, os cientistas puderam elaborar um modelo computacional do ciclo de carbono dos manguezais. O modelo reproduziu em maior detalhe a variação da quantidade de carbono armazenada por mangues distribuídos ao redor do planeta, incorpornado aspectos locais como as marés, a vazão de rios, a geologia ou a precipitação.

O estudo identificou que estimativas anteriores subestimavam em até 50% a quantidade de carbono armazenada em mangues de áreas costeiras calcárias, como no extremo sul da Florida ou no Caribe. Por outro lado, em mangues localizados no delta de rios, as estimativas superestimavam a quantidade de carbono em até 86%.

A variação estaria ligada ao tipo e à taxa de sedimentos e nutrientes transportados pelo fluxo das marés ou dos rios, Manguezais localizados em áreas mais ricas em sedimentos e nutrientes emitiriam maiores quantidades de carbono para a atmosfera, diminuindo, dessa forma, a quantidade armazenada.

A partir da aplicação do modelo, o estudo também apresentou estimativas da quantidade de carbono sequestrada pelos mangues de 57 países que não possuíam dados a esse respeito.

A expectativa dos cientistas é que o modelo contribua para uma melhor avaliação dos manguezais, permitindo aos países aprimorarem os inventários nacionais de emissões de gases de efeito estufa.

Fonte: Universidade do Estado da Louisiana
Imagem: Freeimages

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