Press "Enter" to skip to content

Adaptar-se ao fogo

O risco de incêndio irá subir à medida que o aquecimento global avança, alerta relatório do Centro de Pesquisa da União Européia. Avaliando a perspectiva futura do continente, o estudo indica um incremento na tendência de seca e, consequentemente, das queimadas.

Por meio de um modelo climático, os pesquisadores investigaram como as mudanças climáticas impactarão em fatores ligados ao perigo de fogo. Foram considerados dois cenários de emissões de gases de efeito estufa, um de altas emissões e outro no qual o aquecimento seria limitado a 2°C acima dos níveis pré-industriais.

As simulações apontaram para mudanças na precipitação, temperatura, vento e umidade no continente europeu. A região do Mediterrâneo seria a mais afetada, tornando-se mais quente e seca. Sob as condições climáticas, a vegetação, os solos e outras matérias orgânicas perderiam mais umidade, contribuindo para elevar o perigo de fogo.

Mas a mudança não ficaria restrita à região do Mediterrâneo. Condições mais secas também se estenderiam até a Europa central. Mesmo as zonas montanhosas, como, por exemplo, os Alpes, nas quais os incêndios florestais são incomuns atualmente, experimentariam um aumento substancial do perigo de fogo.

Em ambos os cenários, o risco de incêndios cresceria até 2100. A diferença é que, no cenário sem mitigação do aquecimento global, a situação poderia ficar fora de controle. Ao limitar o aquecimento a 2°C acima dos níveis pré-industriais, ainda seria possível minimizar a gravidade e a frequência de incêndios através de estratégias de adaptação.

O relatório cita três fatores cruciais para reduzir o perigo de foto na Europa. Quase todos os incêndios florestais no continente tem início devido à ação do homem. Dessa forma, o primeiro fator envolve medidas para controla a atividade humana. Incluiria a investigação das causas de incêndios, campanhas de conscientização, ou sanções a infratores.

O segundo fator está ligado ao manejo da vegetação. Em cada ecossistema florestal, abrangeria o planejamento de medidas para reduzir o risco de incêndio devido às secas. Finalmente, espécies e habitats florestais sofrerão impactos das mudanças climáticas. O terceiro fator inclui, portanto, a adaptação dos ambientes florestais às novas condições, incluindo elementos como a composição e a estrutura da vegetação.

A urbanização cada vez mais intensa da Europa também constitui um fator importante na adaptação. Por exemplo, o relatório ressalta que áreas de transição entre centros urbanos e áreas vegetadas ficarão expostos a maior risco de incêndio. O planejamento paisagístico deve evitar o abandono de terras agrícolas, ou projetar espaços para a defesa e para a contenção de queimadas.

Após os severos incêndios florestais de 2017, a Comissão Européia adotou uma série de iniciativas para fortalecer a capacidade de proteção civil. Mas considerando os potenciais impactos futuros do perigo de fogo, a principal iniciativa deveria ser a mitigação do aquecimento global.

Fonte: EU Science Hub
Mais informações: Forest fire danger extremes in Europe under climate change
Imagem: figura 3 do relatório – mapas com as projeções de riscos em cenários de 2°C e de altas emissões

%d blogueiros gostam disto: