Press "Enter" to skip to content

Adaptar a agricultura à pragas e ao clima

As práticas atuais de gerenciamento de pragas em cultivos de grãos não são adequadas para lidar com as mudanças climáticas, afirma estudo de pesquisadores australianos. O aquecimento global está alterando o sistema climático, com impactos diretos e indiretos sobre as espécies de pragas. O gerenciamento terá de se adaptar aos desafios futuros.

Apesar da sensibilidade às condições climáticas, como temperatura ou precipitação, é desafiador identificar a influência exclusiva do clima no surto de pragas agrícolas causadas por invertebrados. De acordo com o estudo, um conjunto de fatores bióticos e abióticos concorrem para o crescimento da população de pragas.

Entre os fatores, incluem-se a biologia sazonal das pragas, o ciclo das plantas hospedeiras, a influência de espécies inimigas naturais que, de outra forma, limitam o crescimento da população, e o manejo agrícola, . Todos eles estão em certa medida sob a influência do clima.

Do ponto de vista produtivo, compreender os possíveis impactos ​​da mudança climática em surtos de pragas poderá auxiliar os agricultores a se preparar. O manejo terá de se adaptar às novas condições, seja, entre outros, por meio de novas práticas no uso de pesticidas, de melhores tecnologias de monitoramento de pragas, ou pela rotação de culturas ou aplicação de insumos.

Nesse sentido, os pesquisadores revisaram a literatura científica e modelos de distribuição de espécies para identificar as ameaças à agricultura ligadas ao surto de pragas. Ele utilizaram a Austrália como estudo de caso, e avaliando os impactos previstos para futuros cenários de mudanças climáticas no país. 

Em geral, a produtividade das culturas deve diminuir à medida que avança o aquecimento global. O estudo menciona que as projeções também indicam uma maior variabilidade de estação para estação. Foi ressaltado que as práticas agrícolas tradicionais, baseadas, por exemplo, na grande dependência de pesticidas baratos ou no cultivo extensivo de tipos ou variedade únicas, se tornarão inadequadas e pouco sucedidas no futuro.

Quanto ao surto de pragas, os pesquisadores enfatizaram que a pesquisa a respeito de espécies individuais deve considerar o contexto da comunidade biótica. Corresponde a avaliar o impacto das mudanças climáticas ao mesmo tempo na distribuição e surtos de espécies de pragas, em inimigos naturais e na relação das espécies com as plantas hospedeiras.

Em curto prazo, incorporar práticas mais sustentáveis contribuiria para a resiliência do produtor rural frente às mudanças do clima. O estudo também recomenda a implementação de ferramentas que ajudem à adaptação, como modelos computacionais de simulação de pragas e o monitoramento das principais espécies.

Mais informações: From species distributions to climate change adaptation: Knowledge gaps in managing invertebrate pests in broad-acre grain crops
Imagem: Freeimages

%d blogueiros gostam disto: