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Adaptações ao aquecimento global da suinocultura

A suinocultura e a avicultura sofrerão impactos do aquecimento global. O modo de produção intensivo, que utiliza confinamento e sistemas mecânicos de aclimatação, é bastante sensível e poderá estar expostos ao estresse térmico, apontou um time de pesquisadores de universidades da Áustria.

Também chamado de industrial, a produção de suínos e aves em confinamento se caracterizam pela alta densidade de indivíduos em edificações isolados, com sistemas de ventilação mecânica. Segundo o estudo, o aquecimento global tem elevado o estresse térmico nas últimas décadas, com efeitos tanto para o bem-estar animal quanto econômico.

Estima-se que atualmente cerca de 50% da produção mundial de carne suína e 70% da produção mundial de aves tem origem em sistemas industriais. A expectativa é de que a produção deverá crescer no futuro – entre 3 e 3,5 vezes para suínos e 4,4 a 5 vezes para aves.

Na Europa central, o ambiente interno dos sistemas de confinamento é mais sensível ao estresse térmico em comparação com a ambiente externo. Principalmente porque as temperaturas internas são mais altas do que as temperaturas externas devido ao calor dos animais.

O aquecimento global pode interferir no controle das condições térmicas internas de edifícios de confinamento de animais. Medidas de adaptação podem ser mais difíceis de implementar em sistemas de confinamento do que em criações extensivas. E também levam a um aumento do custo.

Há duas estratégias principais de adaptação. A primeira está voltada para intervenções nas propriedades térmicas do edifício, modificando a liberação de calor sensível e latente. Por exemplo, o resfriamento do ar que entra no ambiente. A segunda busca manipular a vizinhança térmica dos animais, como o resfriamento do piso ou banhos de água.

A fim de investigar os efeitos do aquecimento global na suinocultura, os pesquisadores elaboraram um modelo computacional. A partir daí, simularam o ambiente interno de um edifício típico para esse tipo de criação em uma cidade da Áustria.

Eles utilizaram dados do período entre 1971 e 2000 para caracterizar as condições climáticas regionais. Consideraram um cenário de aquecimento global até meados deste século, no qual se estimou que a quantidade de dias de verão e de dias quentes deverá subir, bem como a temperatura média.

O estudo constatou que a implementação de medidas de adaptação reduzem o estresse térmico elevam a resiliência dos sistemas de confinamento. Entre as medidas analisadas, dispositivos de ventilação do ar que simultaneamente economizam energia apresentaram maior potencial de reduzir o estresse térmico, podendo chegar em até 100%.

Outras medidas de adaptação, como a redução da densidade animal ou a mudança do padrão de atividade dos animais para o período noturno, mostraram-se menos eficazes. Os pesquisadores concluíram que algumas das medidas existentes tem a capacidade de mitigar o estresse térmico adicional introduzido pelo aquecimento global.

Mais informações: Schauberger, G., Mikovits, C., Zollitsch, W. et al. Global warming impact on confined livestock in buildings: efficacy of adaptation measures to reduce heat stress for growing-fattening pigs. Climatic Change (2019).
Imagem: Unsplash/ Amber Kipp

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