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Adaptação do setor de cana-de-açucar do Brasil

O setor de cana-de-açúcar do Brasil precisará alterar o modo de produção a fim de ganhar produtividade e se adaptar às mudanças climáticas, alertou artigo de cientistas brasileiros. O novo padrão produtivo deverá ser mais intensivo em tecnologia e inovação.

A cana-de-açúcar constitui a terceira maior cultura agrícola do país. O setor sucroenergético apresenta participação relevante na economia nacional e constitui importante fonte de energia. De acordo com o artigo, a cadeia produtiva do etanol emite 77% menos gases de efeito estufa do que a da gasolina.

A soma do etanol, da energia utilizada pela indústria da cana-de-açúcar, e a produção de energia elétrica pela queima do bagaço e da palha da cana, representam 16% da oferta de energia nacional.

O setor, no entanto, poderá sofrer as consequências do avanço do aquecimento global, comprometendo a produção de etanol, de açúcar e de outros derivados da cana-de-açúcar.

O artigo buscou identificar as vulnerabilidades do setor às mudanças climáticas, examinando as medidas disponíveis para adaptação. Os cientistas levantaram dados primários a respeito de programas de melhoramento genético da cana-de-açúcar no país.

Eles também coletaram dados secundários de diversas instituições e de fontes bibliográficas, caracterizando o setor sucroenergético brasileiro. 

Informações do setor apontaram um aumento nos custos nominais de produção de 70% entre 2007 e 2012. Entre os fatores por trás do aumento, incluem-se a crise econômica, a sobrevalorização cambial, e a política de preços da gasolina da Petrobrás.

A implementação do fim do uso do fogo na colheita da cana também trouxe impactos à produção. Em anos recentes, observou-se um declínio no rendimento da cultura e na produção industrial. A inadequação das variedades plantas e a quantidade maior de impurezas da colheita mecanizada contribuíram para a queda.

O período recente também experimentou variações climáticas negativas. Nas principais regiões de produção do país, temperaturas médias mais elevadas e chuvas abaixo do necessário afetaram a cultura.

O cenário se completou com o aumento das dívidas dos produtores. Em resposta, o setor sucroenergético enfrentou o fechamento de usinas e processos de fusões e aquisições, levando à maior concentração setorial. Caíram os investimentos na renovação dos canaviais, nos tratos culturais e na adubação caíram.

Gráficos cana de açúcar no Brasil

Além de diminuir o rendimento em toneladas por hectare, a concentração do açúcar total recuperável no processamento industrial registrou uma redução significativa após 2010. A concentração de açúcar total recuperável depende das condições climáticas, que se deterioraram a partir daquele ano.

O modelo de crescimento da produção da cana-de-açúcar no Brasil revelou uma séria limitação. Segundo o artigo, ele tem se baseado na expansão da área cultivada, em vez do aumento dos rendimentos no processo produtivo. A região brasileira que experimentou a maior expansão foi o Centro-Oeste, baseado em um sistema extensivo em função do baixo preço da terra.

Entre 1990 e 2009, enquanto 66% da expansão da cana-de-açúcar no pais se deu pelo aumento da área cultivada, no Centro-Oeste o valor foi de 77%. 

Para cumprir as metas assumidas de redução das emissões de gases de efeito estufa, o Brasil terá de contar com a participação do setor sucroenergético, em especial no setor de transporte. Entre as medidas, prevê-se a expansão da produção de etanol e da geração de energia elétrica.

Mas o modelo de expansão da produção através de áreas cultivadas em sistemas extensivos poderá representar um entrave, concluiu o artigo. O modelo também aumenta a vulnerabilidade do setor às mudanças climáticas.

A situação se agrava porque os riscos climáticos não tem sido considerados tanto pelos produtores quanto pelos programas de melhoramento genético, revelando um sério atraso no planejamento de medidas de adaptação.

Os cientistas ressaltaram que o quadro se torna ainda pior, quando se leva em consideração a incapacidade institucional dos formuladores de políticas públicas do país em abordar os riscos climáticos.

É preciso desenvolver um plano estratégico de adaptação para a cana-de-açúcar no Brasil integrado a um plano de desenvolvimento tecnológico do setor. A adaptação aos riscos climáticos deverá ocorrer simultaneamente ao aumento da produtividade.

Mais informações: Tecnologia, produção e adaptação da cana-de-açúcar no Brasil
Imagem: Pixabay

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