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Adaptação da agropecuária em Mato Grosso

A prática da pecuária extensiva no Brasil precisa ser transformada de modo a se adaptar às mudanças climáticas e reduzir as emissões de gases de efeito estufa. No caso do estado de Mato Grosso, uma das melhores alternativas é o sistema integrado de criação de gado e cultivo de soja, indicou estudo de um time de pesquisadores de universidades brasileiras, dos Estados Unidos e da Holanda.

A fronteira agrícola brasileira localizada na transição entre os biomas Amazônia e Cerrado tem uma importância global, ressaltou o estudo. A região reúne grande parte das florestas tropicais, da água doce e da biodiversidade do mundo. Do ponto de vista agropecuária, apresenta também potencial para intensificar a produção.

Um dos principais desafios ambientais da Amazônia e do Cerrado está relacionado à pecuária extensiva e de baixa produtividade. A esse tipo de atividade estão ligados problemas como, por exemplo, o desmatamento ou altas emissões de gases de efeito estufa.

Outro fator que trará interferência são as mudanças climáticas. Contudo, de acordo com o estudo, não se sabe ainda ao certo suas influências sobre a agropecuárias, se diminuirá ou aumentará a produtividade.

Uma das estratégias do governo brasileiro para reduzir o desmatamento e as emissões é por meio da intensificação das práticas agrícolas. Entre as medidas adotadas, encontra-se o Programa de Agricultura de Baixo Carbono, cuja meta prevê a expansão de sistemas agrícolas integrados em 4 milhões de hectares até 2020.

Os pesquisadores buscaram avaliar o desempenho de diferentes sistemas integrados no estado do Mato Grosso. Um dos principais centros de expansão agrícola brasileiro, o estado é o maior produtor nacional de algodão, milho, soja e gado de corte. Apresenta também uma das maiores taxas de desmatamento. As pastagens ocupam a maior parte da área agrícola. 

Através de um modelo computacional, os pesquisadores simularam uma fazenda de tamanho médio, reproduzindo as condições observadas em Mato Grosso. Foram considerados diferentes tipos de sistema produtivo, entre os quais a pecuária extensiva, o plantio de soja, o pastoreio rotativo, ou integração entre gado e soja. 

O estudo analisou a rentabilidade obtida e a quantidade de gases emitidos pelos diferentes sistemas em dois cenários do clima em 2050, um de baixas e outro de altas emissões. Outras variáveis investigadas foram as taxas de lotação, emissões de nitrogênio, o uso de energia e água. 

Os diferentes tipos de sistemas apresentaram distintos impactos sociais e ambientais. As simulações não indicaram uma estratégia única para adaptação da agropecuária às mudanças climáticas. No nível da fazenda e em curto prazo, a produção de soja trouxe o menor impacto ambiental por unidade de alimento produzida. Mas esse sistema não seria viável para todo o estado.

A integração entre cultivo de soja e criação de gado implicou em maiores impactos sobre o nitrogênio reativo, o uso de energia e de água por unidade de alimento produzida do que a soja. Mas consistiu na melhor estratégia de intensificação da pecuária extensiva. Além de elevar a produtividade da pastagem e a renda agrícola, os sistema integrado soja-gado poderia ajudar a combater a pobreza e a degradação da terra.

No cenário de maior aquecimento global, todos os sistemas apresentaram tanto perdas de produtividade quanto de lucratividade. Segundo o estudo, isso ressalta a necessidade de implementação de medidas de adaptação da atividade agropecuária às mudanças climáticas.

Mais informações: Tradeoffs in the quest for climate smart agricultural intensification in Mato Grosso, Brazil
Imagem: Icaro Cooke Vieira/CIFOR

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