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A silenciosa extinção de invertebrados

É preciso aumentar com urgência a pesquisa sobre as populações de invertebrados, alertou artigo de cientistas de universidades da Alemanha. Trabalhos recentes apontaram para um rápido declínio das populações, que possuem um papel central no funcionamento dos ecossistemas naturais.

Os invertebrados – como, por exemplo, os insetos – dominam o mundo em termos de biodiversidade e do funcionamento dos ecossistemas. A queda da abundância, ou na expressão dos cientistas, a extinção silenciosa pode ter sérias consequências.

Entre os fatores que podem ser afetados pela diminuição da biodiversidade ou abundância de invertebrados, incluem-se a produtividade primária das comunidades naturais e o controle de pragas.

Além disso, muitas espécies cumprem um papel crítico para a saúde dos ecossistemas. É o caso dos invertebrados do solo, que apresentam um papel especialmente importante para funções como o controle da erosão dos solos ou a reciclagem de nutrientes.

Historicamente, esse grupo da fauna tem sido subestimado e pouco estudado, apontou o artigo. Na lista vermelha de espécies ameaçada, produzida pela Organização Não Governamental – ONG – União Internacional para a Conservação da Natureza – IUCN, na sigla em inglês -, os invertebrados estão subrepresentados.

A grande maioria dos estudos realizados esteve ligada às espécies polinizadoras. A maioria dos animais polinizadores são insetos, sendo que as abelhas representam o grupo mais importante. Estima-se que elas visitem mais de 90% dos principais tipos de culturas globais.

Mesmo entre invertebrados polinizadores, ainda existem lacunas no conhecimento. A situação piora em relação à outras espécies. Apesar da disponibilidade de dados sobre grupos mais carismáticos em determinadas regiões geográficas – por exemplo, sobre borboletas na União Européia -, nenhuma informação há sobre outros invertebrados.

No entanto, essa situação começa a mudar. Pesquisas recentes detectaram quedas alarmantes na biomassa de invertebrados. Verificou-se que os polinizadores silvestres, principalmente os invertebrados, diminuíram em ocorrência, abundância ou diversidade.

Pesquisas também indicaram que a perda de biodiversidade pode ser maior entre os invertebrados do que o registrado para plantas e aves. E que significativas alterações na diversidade e na composição da comunidade ocorrem quase despercebidas. Espécies podem ser extintas antes mesmo de serem conhecidas.

Em resposta à extinção silenciosa detectada pela pesquisa científica, o artigo afirma que iniciativas de monitoramento e planos de ação, nacionais e internacionais, estão sendo propostos.

O artigo sugeriu o estabelecimento de um plano de monitoramento de mudanças na biodiversidade de invertebrados. O plano deveria levantar e reanalisar todos os dados coletados nas últimas décadas, de forma a subsidiar análise de tendências espaço-temporais.

Em locais específicos e bem amostrados, o desenvolvimento de novas pesquisas contribuirá para a identificação de tendências. Programas nacionais de monitoramento devem ser estabelecidos e integrados internacionalmente.

Para melhor entender e proteger a biodiversidade de invertebrados, faz-se necessária a implementação dessas iniciativas inovadoras de monitoramento. Elas constituem a base para o conhecimento e a conscientização, permitindo combater o avanço do processo de extinção.

Mais informação: Eisenhauer, N., Bonn, A., & Guerra, C. A. (2019). Recognizing the quiet extinction of invertebratesNature communications10(1), 50.
Imagem: Freeimages

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