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A riqueza pode atrapalhar o combate ao aquecimento

As pessoas estariam mais ou menos propensas a contribuir com dinheiro para combater o aquecimento global de acordo com a riqueza, sugeriu estudo de um grupo internacional de pesquisadores. Aqueles com mais recursos tendem a contribuir significativamente menos.

Limitar o aquecimento global representa um desafio global que, segundo o estudo, envolverá a ação coletiva de indivíduos com diferentes tendências à cooperação. Mas não havia pesquisas a respeito da influência da desigualdade de recursos na forma em que atores singulares interagem na busca de um objetivo comum.

Os pesquisadores realizaram um experimento nas ruas da cidade de Barcelona, na Espanha. Mais de 300 pessoas participaram, divididas em grupos de 6 indivíduos. A intenção foi testar o esforço econômico que cada um estava disposto a fazer por uma causa comum. 

No começo do experimento, cada membro do grupo recebia uma quantia de dinheiro – alguns mais, outros menos -, somando ao todo 240 euros. Em metade dos grupos, a quantia de dinheiro distribuída foi a mesma, ou 40 euros para cada membro. Na outra metade, o dinheiro foi distribuído de forma desigual, em quantidade de 20 a 60 euros.

As pessoas eram informadas que, ao final do experimento, elas estariam autorizadas a manter qualquer dinheiro que sobrava. Cada participante sabia a quantidade de dinheiro recebida por todos os membros do grupo no começo, e também a quantidade de dinheiro que cada um manteve no final.

Em seguida, as pessoas do grupo seguiam para cabines separadas. Lá, e sem o conhecimento dos demais membros do grupo, os indivíduos participavam de 10 rodadas com lances para contribuir a um fundo comum. Cada um podia dar o valor que quisesse do dinheiro recebido a cada rodada.

O objetivo era somar ao término um fundo comum – relativo ao grupo – com no mínimo 120 euros. Esse dinheiro seria aplicado em plantação de árvores como forma de mitigação do aquecimento global.

Todos os grupos atingiram a meta coletiva de 120 euros. Mas os resultados apontaram mudanças significativas entre os grupos em que as pessoas receberam a mesma quantidade de dinheiro e aqueles nos quais elas receberam quantidades desiguais.

Nos grupos da igualdade, os participantes contribuíram com quantidades consideradas justas, de aproximadamente metade de dinheiro inicial. Ou então, elas foram mais generosas e contribuíram com valores muito mais do que o considerado justo.

Outro tipo de comportamento se verificou nos grupos desiguais. As pessoas do grupo com mais dinheiro – 50 ou 60 euros – contribuíram menos do que o considerado justo. O contrário ocorreu com as pessoas que receberam menos – 20 ou 30 euros -, cuja contribuição foi proporcionalmente muito maior do que aqueles com mais dinheiro no mesmo grupo.

Os participantes com menos recursos contribuíram significativamente mais para o bem público do que os mais ricos, às vezes até duas vezes mais. Aqueles com menos recursos se classificaram como mais generosos. O oposto se deu com aqueles com mais recursos, classificados como gananciosos.

Segundo os pesquisadores, em função da desigualdade, os mais pobres se tornam mais vulneráveis. Nesse sentido, as políticas devem considerar medidas de justiça climática em favor das pessoas mais vulneráveis. A contribuição equitativa para a mitigação do aquecimento dependeria da conscientização do público a respeito da importância da imparcialidade.

É preciso prevenir contra a ganância.

O vídeo abaixo (em inglês) apresenta uma síntese do estudo.

Fonte: Universidade Rovira i Virgili
Mais informações: Resource heterogeneity leads to unjust effort distribution in climate change mitigation
Imagem: adaptado da figura 1 do estudo – gráfico compara, para cada faixa de dinheiro recebido pelos participantes (eixo horizontal), a quantidade justa de contribuição (linha preta) com a quantidade de contribuição realizada (linhas coloridas). Quem recebeu mais contribuiu proporcionalmente bem menos.

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