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A revolução no setor energético mundial

Limitar o aquecimento global dependerá de uma profunda revolução no setor energético mundial. A produção de energia a partir da queima de combustíveis fósseis consiste na principal fonte de emissões humanas de gases de efeito estufa.

Dessa forma, a geração com base em combustíveis fósseis deverá ser substituída por energia renovável. Estudo de um grupo internacional de pesquisadores sugere que dois terços da demanda total de energia global podem ser atendidas pelas fontes renováveis até 2050.

A modificação do setor mundial de energia é urgente e imprescindível para alcançar o objetivo do acordo climático de Paris. Sem ela, ficará impossível limitar o aquecimento global a menos de 2ºC acima dos níveis pré-industriais.

Mas, segundo o estudo, a modificação do setor energético não está acontecendo de forma rápida o suficiente. Após se manterem estáveis por três anos consecutivos, as emissões de dióxido de carbono – CO2 -, o principal gás de efeito estufa, subiram 1,4% em 2017.

Diversos países investem na transformação dos setores energéticos nacionais. Pode até parecer que os Estados Unidos, em função da administração de Donald Trump, ficam de fora. Mas o país é um dos exemplos de mudança.

Impulsionados por incentivos fiscais e políticos, além de planejamento e inovação da rede, cresceram tanto a produção doméstica de gás natural quanto as energias renováveis. Em 2017, 11% da demanda total de energia e 17% de toda a geração de eletricidade nos Estados Unidos veio de fontes renováveis.

A China, nação com as maiores emissões, também está executando um plano de crescimento da energia renovável. A meta nacional pretende reduzir a participação dos combustíveis fósseis para 20% de toda a energia gerada até 2030.

Até mesmo a Rússia, dona de uma das maiores reservas mundiais de combustíveis fósseis, apresenta uma iniciativa de expansão das energias solar e eólica. Direcionado ao abastecimento de populações isolados, até 2013 o governo havia concedido mais de 5 gigawatts de capacidade.

O estudo buscou avaliar os esforços de desenvolvimento das fontes renováveis e da eficiência energética realizados em todo o mundo. Foram investigados cenários, explorando-se custos e benefícios, de aceleradas modificações no setor energético até 2050.

Mapa de implantação de fontes renováveis
O mapa apresenta a quantidade de energia renovável que deveria ser implantada em diferentes regiões e países do mundo até 2050, no cenário de limitação do aquecimento global. Fonte: figura 4 do estudo.

Um processo de veloz inovação está ocorrendo, identificaram os pesquisadores. Como consequência, verifica-se uma queda nos custos das tecnologias renováveis. Nesse sentido, eles recomendaram a adoção de políticas de incentivo tecnológico.

A energia renovável e a eficiência energética constituiriam a alternativa mais viável para o sucesso do acordo climático de Paris. Os cenários sugeriram que as fontes renováveis poderiam atender até 63% do total da oferta de energia primária em 2050. Em conjunto com uma maior eficiência energética, isso representaria 94% do corte nas emissões necessário para limitar o aquecimento global.

Calculou-se que a modificação do setor energético mundial demandaria investimentos da ordem de US$ 120 trilhões até 2050. A participação anual das fontes de energia renovável – especialmente solar e eólica – na geração precisaria subir a uma taxa seis vezes maior do que o registrado em anos recentes.

Ainda assim, eliminar completamente as emissões de CO2 em setores como transporte e indústria será possível apenas se novas tecnologias, atualmente inexistentes, forem inventadas.

É um desafio digno de ficção científica.

Mais informações: Gielen, Dolf, et al. “The role of renewable energy in the global energy transformation.” Energy Strategy Reviews 24 (2019): 38-50.
Imagem: Unsplash/ American Public Power Association

Informações científicas e recursos audiovisuais sobre o aquecimento global, o efeito estufa e as mudanças climáticas
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