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A relação entre os produtores de petróleo e as políticas climáticas

A adaptação às políticas climáticas está em curso nos países produtores de petróleo, sugere relatório de pesquisador de uma universidade dos Estados Unidos. Ele analisou as estratégias utilizadas pela Arábia Saudita para proteger sua indústria do petróleo.

O país saudita ocupa posição de destaque no que diz respeito ao aquecimento global. De acordo com a Agência de Energia dos Estados Unidos – EIA, na sigla em inglês -, a Arábia Saudita foi o segundo maior produtor mundial de petróleo em 2017, com cerca de 12 milhões de barris por dia. Ficou atrás apenas dos EUA.

A economia saudita estaria ancorada na produção de combustíveis fósseis, cuja queima constitui a principal fonte de emissões humanas de gases de efeito estufa.

Ao mesmo tempo, o pesquisador apontou que a geografia e o clima árido da Arábia Saudita tornam o país vulnerável aos efeitos do aquecimento global. À medida que este avança e provoca mudanças climáticas, o país poderá enfrentar impactos severos.

O pesquisador apontou três estratégias implantadas recentemente pelo país de modo a se preparar para as políticas climáticas. Uma delas foi reduzir emissões diretas de dióxido de carbono – CO2 – e de metano – CH4 – da indústria nacional de petróleo e gás.

Dessa forma, nas atividades de exploração e de exportação do petróleo, as empresas sauditas emitem menos gases de efeito estufa do que seus competidores internacionais. No ponto de vista do pesquisador, caso os governos estabeleçam impostos sobre o carbono, a Arábia Saudita sairia em vantagem na comparação com outros produtores.

Outra ação adotada consiste em pesados investimentos em usos do petróleo e do gás além da geração de energia. Por exemplo, o país desenvolve a produção petroquímica, na qual o petróleo representa uma matéria-prima para a criação de plásticos, em vez de ser queimado e liberar grandes quantidades de carbono para a atmosfera.

A terceira estratégia identificada pelo relatório é o envolvimento do governo saudita na governança internacional sobre mudanças climáticas. A Arábia Saudita participa dos tratados e discussões internacionais, inclusive pelo compromissos de reduzir as emissões do país.

Eles atuam, no entanto, de forma a eleger ações climáticas que protejam a demanda por combustíveis fósseis. Apoiam, por exemplo, o desenvolvimento de tecnologias de captura e armazenamento de carbono, ou a redução da queima de gás natural.

Ao mesmo tempo, atuam a favor de uma mudança mais lenta no cenário energético mundial, argumentando que a descarbonização acelerada seria cara e irrealista. Também sustentam que alguns danos causados ​​pelas mudanças climáticas podem ser menores do que esquemas ambiciosos de redução das emissões globais.

Mas haveria uma outra opção, melhor do que as estratégias adotadas até o momento. Para o pesquisador, os países produtores de petróleo deveriam busca a diversificação para além do negócio de petróleo e gás. Com isso, criariam novos setores econômicos, complementando e eventualmente substituindo aqueles que serão prejudicados pelas políticas climáticas.

A Arábia Saudita está dando os primeiros passos nessa direção.

Fonte: Rice University
Mais informações: Climate Strategy for Producer Countries: The Case of Saudi Arabia
Imagem: Pixabay

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