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A relação entre intemperismo e os gases de efeito estufa

A história geológica da Terra sugere que o sistema climático tende a recuperar a estabilidade após perturbações, o que tem sido crucial para a continuidade da vida. A principal teoria para essa tendência é que a estabilidade estaria ligada à remoção do dióxido de carbono – CO2 – da atmosfera por meio do intemperismo (a erosão das rochas dos continentes), em combinação com os oceanos.

A chuva, o vento e outros fatores provocam a gradual erosão das rochas dos continentes, em uma reação química na qual o CO2 da atmosfera é consumido. O sedimento resultante do processo de erosão é transportado pelos rios até os oceanos, onde se transforma em carbonatos marinhos, como o material que constitui as carapaças de vários animais. Os carbonatos acabam sendo precipitados ao fundo dos oceanos, onde o carbono fica armazenado.

O ritmo desse processo de intemperismo estaria condicionado pela temperatura e, por causa disso, funcionaria como fator estabilizador do sistema climático. Evidências dessa influência da temperatura foram identificadas por um grupo de pesquisadores do Reino Unido, por meio do estudo de depósitos de rocha cuja idade remonta a um período de glaciação ocorrido a milhares de anos no passado.

A partir da análise dos depósitos, e com o auxílio de um modelo computacional, o estudo sugere que a glaciação teve início com o declínio da concentração atmosférica de CO2. O declínio estaria associado a uma redução na atividade vulcânica, que é a principal fonte natural de emissão do gás em longo prazo (em milhões de anos). A glaciação trouxe menores temperaturas, levando a uma retração nas taxas de intemperismo das rochas continentais.

O efeito foi a inversão na tendência das concentrações do CO2 atmosférico, que passaram a subir e eventualmente provocaram o fim da glaciação. Os cientistas afirmam que o  estudo mostra que se o sistema climático é perturbado por fatores tectônicos, como a atividade vulcânica, ele pode ser estabilizado pela resposta do processo de sequestro de carbono pelo intemperismo dos continentes.

Nota do ciência e clima

Outro estudo recente sugere que o processo erosivo das rochas, provocado pelas geleiras, seria também um fator que influenciaria de modo positivo a concentração atmosférica de CO2. Ambos reforçam a relação entre processos geológicos e o sistema climático.

Mais informações: Global climate stabilisation by chemical weathering during the Hirnantian glaciation
Imagem: Freeimages

 

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