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A produção do vinho sob a influência do clima

O sindicato de produtores e cooperativas rurais Copa/Cogeca, da União Européia, sugere que a colheita de vinho dos maiores produtores europeus neste ano será bastante reduzida. Deve atingir cerca de 145 milhões de hectolitros, o que pode ser o nível mais baixo registrado nos últimos 36 anos.

Evolução da produção européia de vinho entre 1980 e 2017. A unidade considerada é milhões de hectolitros. Fonte: Comissão Européia.

De acordo com o Copa/Cogeca, a baixa colheita se deve à ocorrência de eventos climáticos extremos e às mudanças climáticas. As condições climáticas adversas em 2017 incluíram tempestades de granizo e fortes geadas durante a primavera, bem como a seca ao longo do verão. O resultado foi um dano considerável aos vinhedos em quase toda a Europa.

Os principais países produtores de vinho prevêem quedas significativas nas colheitas. A Comissão Européia informa que, entre os três maiores produtores europeus, espera-se uma queda de 16% na Espanha, de 17% na França e de 21% na Itália. As condições adversas do clima levaram a uma colheita prematura, sendo realizada em média com duas semanas de antecedência por muitos produtores.

Outros países tiveram melhor sorte com o clima deste ano. Em Portugal, a previsão é de que o aumento em relação a 2016 seja de 10%. Severamente atingida por geadas ano passado, a Áustria espera melhorar em 23% a produção de vinho este ano. A principal recuperação deve ser da Romênia, com um crescimento de 60%. Essas estimativas iniciais devem mudar à medida que se avança na colheita, e dados oficiais serão conhecidos somente em 2018.

A União Européia é a maior produtora mundial de uvas, segundo dados da Organização Internacional da Vinha e do Vinho – OIV, na sigla em inglês. Os maus resultados devem impactar negativamente a produção global de vinho em 2017, da mesma forma como ocorreu em 2012, outro ano de baixas colheitas na Europa (ver gráfico abaixo).

Evolução da produção mundial de vinho em milhões de hectolitros. Fonte: OIV.

Apesar da influência do clima, é correto atribuir os problemas de 2017 às mudanças climáticas? Dados de pesquisa realizada pela Universidade de Harvard mostram uma grande variação histórica na data de início da colheita das uvas no período entre 1600 e 2000. Todavia, na segunda metade do século XX se observa uma rápida tendência de realizar as colheitas mais cedo no ano, um sinal dos efeitos do aquecimento global.

Dessa forma, certamente os problemas da colheita deste ano se enquadram na tendência de longo prazo das mudanças climáticas. Mas a forma particular de como os eventos climáticos ocorreram se devem a fenômenos meteorológicos regionais e singulares.

Mais informações: Copa/Cogeca, Comissão Européia e OIV
Imagem: Freeimages

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