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A mudança climática começa pelo Ártico

Devido ao aquecimento global, as condições climáticas no Ártico estão em acentuada transição. O ambiente está se tornando mais quente, úmido e diverso, afirma relatório do Programa de Avaliação e Monitoramento do Ártico – AMAP, na sigla em inglês.

Estabelecido pelo Conselho do Ártico, instituição internacional que reúne os 8 países da região (Canadá, Dinamarca, Finlândia, Islândia, Noruega, Rússia, Suécia e Estados Unidos), o programa busca avaliar os impactos regionais das mudanças climáticas.

O relatório destaca três pontos. O primeiro é a possibilidade do oceano ártico ficar sem gelo marinho durante a época do verão até o ano de 2030.

O segundo ponto é o avanço recente no conhecimento dos processos relacionados ao derretimento da calota polar do Ártico e da Antártica, indicando que as projeções do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas – IPCC, na sigla em inglês – sobre o aumento do nível do mar estão subestimadas. 

Gráfico extensão do gelo marinho ártico
Área coberta pelo gelo marinho ártico nos meses de Março (inverno), Setembro (verão), e a média anual. Fonte: AMAP/SWIPA Fig. 9.9

O terceiro e último ponto diz respeito ao fato de que mudanças no Ártico podem afetar o clima em regiões de média latitude.

No período entre 2011 e 2015, observaram-se as mais altas temperaturas no Ártico desde que o registro instrumental teve início, em 1900. O aquecimento dos últimos 50 anos é duas vezes superior ao observado no restante do mundo, e se estende às camadas superficiais e profundas do oceano ártico.

O calor faz com que camadas cada vez mais profundas dos solos congeladospermafrost, em inglês – derretam nos meses de verão. O aumento das temperaturas também diminuiu a ocorrência de períodos de frio extremo, e tem levado a acentuada retração da espessura e extensão do gelo marinho.

Gráfico temperatura do ártico no verão
Reconstrução da temperatura média do verão Ártico nos últimos 2000 anos, em relação à média do período entre 1961 e 1990. Fonte: AMAP/SWIPA Fig. 2.1

Outra tendência de redução se verifica na área e na duração da cobertura de neve. Na regiões árticas dos Estados Unidos, Europa e Rússia, a área coberta de neve no mês de junho foi 50% menor nos últimos anos do que a média observada antes do ano 2000. A duração da cobertura de neve tem diminuído entre 2 e 4 dias por década. 

Entre 2011 e 2014, a Groenlândia perdeu em média 375 gigatoneladas por ano, o equivalente a uma pedra de gelo cujos lados medissem 7,5 quilômetros. A taxa do período entre 2011 e 2014 foi quase duas vezes maior do que a observada entre 2003 e 2008.

Uma das consequências do derretimento foi que o volume de água doce no oceano ártico subiu aproximadamente 11% em relação à média registrada entre os anos 1980 e 2000.

As mudanças ambientais por que passa o Ártico trazem reflexos sobre os ecossistemas. Alterações são observadas na distribuição das espécies, em usos dos habitats, nas migrações, nas relações entre predador e presa, na dieta de mamíferos marinhos, e na ocorrência de booms de algas.

Animais de pastagem como renas e caribus tem sido afetados pelas modificações na paisagem originadas da variação climática. Dados recentes de satélite mostram uma retração da cobertura vegetal e da produtividade das plantas, especialmente na Eurásia.

Mapa de projeção do aquecimento no ártico
Projeção do aumento da temperatura média do ar no Ártico, de acordo com as estações do ano, para o período entre 2070 e 2090. A referência é a temperatura média observada entre 1960 e 1990. Fonte: AMAP/SWIPA Fig. 3.3

O relatório afirma que a transição ambiental do Ártico deve continuar até pelo menos a metade deste século, podendo ser estabilizada a partir de então pela redução das  emissões de gases de efeito estufa. Ainda assim, a região deve se tornar um ambiente significativamente diferente do que é hoje.

Mais informações: Snow, Water, Ice and Permafrost in the Arctic
Imagens: AMAP

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