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A migração das espécies

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As mudanças climáticas causadas pelo aquecimento global estão provocando uma resposta biológica em escala global, com organismos marinhos, de água doce e terrestres alterando sua distribuição geográfica de modo a permanecer sob as mesmas condições ambientais,  ressalta estudo publicado pela revista científica Science.

Um dos principais atributos dos seres vivos é sua capacidade de migrar para regiões diferentes em resposta a eventos tectônicos, oceanográficos ou climáticos. Tanto as mudanças climáticas em curso, quanto aquelas projetadas para este século, comparam-se em magnitude às maiores mudanças globais ocorridas nos últimos 65 milhões de anos da história do planeta.

A consequência é que inúmeras espécies estão mudando sua distribuição espacial em função do clima, provavelmente em um ritmo mais rápido do que já observado no passado. Produzido por um time internacional de cientistas, o estudo ressalta que alterações na distribuição de espécies em termos de latitudes, elevações e profundidade – no caso dos oceanos – foram extensivamente documentadas ou projetadas (a figura acima apresenta diversos exemplos).

Além das implicações biológicas, incluindo o funcionamento de ecossistemas e a biodiversidade, a redistribuição de espécies traz igualmente implicações para o bem-estar social e para o desenvolvimento das mudanças climáticas. No primeiro caso, liga-se a questões como segurança alimentar e disseminação de doenças infecciosas, entre outras. No segundo caso, interfere em processos de sequestro de carbono, podendo intensificar a emissão de gases de efeito estufa.

Em geral, os efeitos oriundos da redistribuição das espécies são ignorados pelas políticas e tratados internacionais, ou por medidas de mitigação e adaptação às mudanças climáticas. Nesse sentido, o estudo advoga a implementação de uma gestão da mudança, de forma a lidar com a extensa reorganização espacial da biota do planeta. Para isso, recomenda investir na pesquisa de processos biológicos e ecossistêmicos, em programas de monitoramento, e na incorporação da migração de espécies em modelos de avaliação de impactos das mudanças climáticas.

Nota do ciência e clima:
Outro estudo publicado recentemente também ressalta a lacuna de modelos computacionais em incorporar em suas avaliações a influência das mudanças climáticas. Os dois exemplos a complexidade do tema e a dificuldade da ciência em lidar com essa complexidade e com uma realidade em processo de mudança.

Mais informações: Biodiversity redistribution under climate change: impacts on ecosystems and human well-being
Imagem: Figura 1 do estudo – “mudanças causadas pelo clima na distribuição de vida ao redor da Terra estão impactando a saúde de ecossistemas, o bem-estar humano, e a dinâmica das mudanças climáticas, desafiando os sistemas de governança local e regional”

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