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A letargia dos ciclones

Entre 1949 e 2016, os ciclones tropicais diminuíram a velocidade de deslocamento em cerca de 10%, sugere estudo realizado por cientista dos Estados Unidos. Os ciclones estariam se movendo de forma um pouco mais lenta.

Segundo artigo da revista Nature, o estudo analisou a velocidade com que todos os ciclones tropicais observados no período se deslocaram no espaço. Foi identificado que em 1949 as tempestades avançavam a uma velocidade média de 19 quilômetros por hora. A velocidade média caiu para 17 quilômetros por hora em 2016.

O aquecimento global influencia a circulação atmosférica, provocando alterações que variam por região e por época do ano. Pesquisas anteriores apontaram evidências de que, na região dos trópicos, o aquecimento trazia um enfraquecimento geral da circulação da atmosfera durante o verão.

O estudo buscou verificar se os ciclones tropicais sofriam o mesmo efeito. Entretanto, os resultados foram recebidos com certo ceticismo pela comunidade científica.

De um lado, não há uma relação linear de causa e efeito entre o aquecimento global e a velocidade com que os ciclones tropicais se movem. Tampouco entre a desaceleração nos padrões de circulação atmosférica tropicais e o movimento dos ciclones.

Além disso, modelos climáticos utilizados para explorar a formação de ciclones tropicais não simulam um efeito na diminuição da velocidade das tempestades.

Outra fonte de incerteza diz respeito aos dados de monitoramento. A observação dos ciclones teve início no final da década de 1960, através de instrumentos de satélite. Os dados obtidos antes do lançamento dos satélites talvez sejam menos acurados.

Mas o autor do estudo ressaltou que o rastreamento antes da era dos satélites fornecia dados menos confiáveis sobre a frequência e intensidade dos ciclones. Porém, quanto à velocidade, eles se mostraram suficientes.

A consequência da diminuição da velocidade dos ciclones está ligada aos danos que eles provocam. Quanto menos veloz, maior poderá ser a quantidade de chuva transportada pela tempestade para uma determinada área. Maior também será o tempo de exposição a ventos intensos.

Dessa forma, cresceriam o risco de inundações e o potencial de danos. Se o efeito for mesmo confirmado, e estiver associado ao aumento da temperatura média global, poderá ser ampliado com o avanço do aquecimento global.

Fonte: Nature
Imagem: Pixabay

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