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A geoengenharia que dá certo

É possível combater o aquecimento global através da geongenharia de uma forma segura, barata e com baixos efeitos colaterais. Através da manipulação da quantidade de luz solar refletida pela superfícies terrestre, é possível reduzir o calor extremo em até 2 a 3°C, afirma estudo de cientistas da Austrália, Estados Unidos e Suíça.

Mesmo que esforços para mitigar as emissões de gases de efeito estufa sejam intensificados, cumprir a meta do acordo climático de Paris ainda constituirá um grande desafio. Mas como a diminuição das emissões tem sido lenta, o estudo aponta que recentemente aumentou o debate ao redor de medidas de geoengenharia do sistema climático.

A geoengenharia compreende o conjunto de processos e tecnologias propostos para interferir na quantidade de energia absorvida pelo planeta. Entre eles, inclui-se, por exemplo, a pulverização de aerossóis de sulfato na estratosfera, a fim de bloquear parte da radiação solar que chega à superfície.

Contudo, há grande controvérsia quanto à possibilidade controlar a temperatura média global através de esquemas de geoengenharia em escala mundial. Além de incertezas ligadas à viabilidade das propostas, existe ainda o potencial de graves efeitos colaterais, como a interferência regional em padrões de chuva e monções.

Os cientistas analisaram como alterações no albedo – a quantidade de luz refletida pela superfície – contribuiria para diminuir o aquecimento. Nas cidades, a quantidade de luz refletida aumentaria, por exemplo, através do uso de materiais de pavimentação rodoviária ou de telhas com propriedades reflexivas maiores. Nas fazendas, manter os solos revirados após a colheita contribuiria para refletir uma maior quantidade de luz solar.

Em um modelo climático, foram simuladas mudanças nas propriedades reflexivas de terras agrícolas e de áreas de alta população, distribuídas pela América do Norte, Europa e Ásia. Os resultados indicaram que a alteração no albedo tinha pequena influência sobre as temperaturas médias e sobre o regime de chuvas.

Em episódios de temperaturas extremas, no entanto, reduções significativas da temperatura foram observadas. Os efeitos também se limitaram à escala local e regional, com menores riscos de efeitos imprevistos.

Em algumas partes da Ásia, verificou-se a possibilidade de impacto negativo da técnica de alteração do albedo sobre as chuvas. Nessas regiões, o contraste de temperatura entre a terra e o mar contribuem para a formar as monções. A diminuição das temperaturas extremas pela manipulação do albedo poderia interferir nas monções.

A geoengenharia da quantidade de luz solar refletida pela superfície consiste em uma técnica útil para aliviar os efeitos das temperaturas extremas nas cidades e no campo. Mas não representa uma solução do aquecimento extremo, ressaltam os cientistas. É imperativo reduzir as emissões de gases de efeito estufa.

Fontes: Eurekalert e Thomson Reuters Foundation
Imagem: Flickr/ giulia gasparro

Informações científicas e recursos audiovisuais sobre o aquecimento global, o efeito estufa e as mudanças climáticas
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