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A calota polar do oeste da Antártica está em colapso?

A região oeste da calota polar da Antártica se encontra em estágio inicial de colapso? Essa é uma questão de debate na comunidade científica, afirmou artigo de cientistas dos Estados Unidos. A resposta dependerá tanto de informações obtidas pela paleoclimatologia quanto pelas observações atuais.

Os cientistas ressaltaram a velocidade no avanço científico a respeito da Antártica. Em 1990 foi descoberto que uma das geleiras do oeste da calota polar estava perdendo massa. Pouco depois, outros levantamentos detectaram a mesma tendência em outros pontos.

Desde então, as informações produzidas por sensoriamento remoto e campanhas de campo se multiplicaram. O panorama presente indica que a maior parte do oeste da calota polar da Antártica se encontra sob uma acelerada retração. O principal fator consiste no aumento da temperatura da água do oceano, provocando a erosão das plataformas de gelo.

Todavia, mesmo diante de sinais tão fortes de retração, as observações possuem uma grande limitação. Elas começaram a ser realizadas no inicio da década de 1990, compreendendo um período muito curto de tempo do ponto de vista da climatologia.

A calota polar da Antártica, assim como outros elementos do sistema climático, é dinâmica e está submetida à variabilidade natural. Dessa forma, o curto período das observações impede que os cientistas tirem conclusões definitivas a respeito das tendências atualmente registradas, por mais agudas que elas sejam.

Uma alternativa para complementar as observações é por meio de registros paleoclimáticos. A análise de sedimentos marinhos e núcleos de gelo, por exemplo, fornece informações das condições ambientais e da calota polar da Antártica no passado. Os acontecimentos registrados no passado servem para contextualizar o que ocorre no presente.

No último período interglacial, entre 132 e 116 mil anos atrás, dados obtidos de sedimentos marinhos apontam que o nível do mar era entre 5 e 9 metros mais alto do que na atualidade. Provavelmente a retração da calota polar da Antártica contribuiu para os níveis mais elevados. Em sedimentos marinhos também se detectaram evidências de episódios de colapso da região oeste da Antártica no passado. 

A análise de núcleos de gelo sugere que a retração das geleiras no oeste da Antártica teve início nos anos 1940. Os dados de uma amostra sugerem que o derretimento observado no presente, durante o verão, excede qualquer outro momento do último milênio.

Alguns estudos sugeriram que o oeste da Antártica se encontra no estátio inicial de colapso. Tal opinião ainda não é compartilhada por toda a comunidade científica. Segundo o artigo, se antes a opinião de especialistas considerava as tendências registradas na Antártica como incertas, em função da pesquisa dos últimos anos ela mudou para provável.

Mas o melhor entendimento das tendência atuais dependerá da continuidade de estudos paleoclimatológicos, ressaltaram os cientistas. Só assim a comunidade científica poderá interpretar as observações modernas em relação ao contexto de longo prazo. Em um mundo em aquecimento global, a camada polar da Antártica continuará a mudar.

Mais informações: The prescience of paleoclimatology and the future of the Antarctic ice sheet
Imagem: Flickr/ Jcqsmer

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