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8 ações para adaptar os solos às mudanças climáticas

É possível elevar o sequestro de carbono pelos solos e ao mesmo tempo melhorar sua qualidade, afirmou artigo de um grupo internacional de pesquisadores. Os benefícios seriam a mitigação das emissões humanas de gases de efeito estufa e a melhoria da produtividade.

Os solos constituem um grande reservatório de carbono, contendo uma quantidade estimada entre duas e três vezes a da atmosfera. Por meio da fotossíntese, a vegetação sequestra o dióxido de carbono – CO2 – do ar e o transfere, na forma de matéria orgânica, para os solos.

Estima-se que os ecossistemas terrestres sequestrem entre 10% e 15% do CO2 emitido pelas atividades humanas.

Por sua vez, a decomposição da matéria orgânica por bactérias, fungos e outros, produzem nutrientes essenciais ao crescimento das plantas. Além disso, o solo se torna menos vulnerável à erosão e pode armazenas uma quantidade maior de água.

O artigo ressaltou que um terço dos solos do mundo estão degradados por práticas como a agricultura, a indústria e a urbanização. Ao longo do tempo, essa intervenções liberaram grandes quantidades de carbono para a atmosfera. A saúde dos solos se deteriorou.

Uma das estratégias para combater o aquecimento global é aumentar o reservatório de carbono dos solos.Uma das iniciativas é promovida pelos autores do artigo, que sugerem elevar os estoques de carbono dos solos do planeta.

Eles sugeriram 8 ações para que a iniciativa se concretize.

1. Eliminar novas emissões pelos solos

Inclui a proteção de regiões de turfas, especialmente na região dos trópicos. As turfas detém entre 32% e 46% de todo o carbono armazenado pelos solos. Estima-se que elas absorvam anualmente cerca de 1% das emissões totais de CO2.

Deve-se também promover a recuperação de áreas degradadas. Segundo o artigo, entre 10 milhões e 60 milhões de quilômetros quadrados de solos estão degradados – até 40% da superfície terrestre. Eles tem o potencial de sequestrar entre 9% a 19% das emissões totais de CO2 por 25 a 50 anos.

Mas o esforço de conservação deve se estender também a florestas e outros ecossistemas.

2. Sequestrar o CO2 da atmosfera

Para elevar a taxa de sequestro do CO2 atmosférico, é preciso pesquisar e implementar práticas adequadas. Entre elas, incluem-se o plantio durante todo o ano, o uso de resíduos de culturas, a redução da aragem ou a implantação de sistemas agroflorestais.

As técnicas variarão de região para região, ajustando-se aos diferentes tipos de solo, relevo, clima, velocidade das mudanças climáticas e característica socioeconômicas.

3. Monitorar e reportar

Um dos maiores desafios de uma estratégia global de sequestro de carbono pelos solos é o monitoramento em larga escala e longo prazo. O monitoramento constitui uma etapa fundamental, pois a partir dele serão produzidas informações sobre a eficiência das medidas adotadas.

As dificuldades são muitas. Devem-se aos custos, à escala, ao tempo necessário, à possibilidade de ter acesso a terras privadas, e à ausência de especialização e conhecimento técnico em alguns países. Uma rede global de laboratórios de solos foi instituída para auxiliar no monitoramento.

4. Tecnologia

Avanços tecnológicos de instrumentos de medição e monitoramento podem reduzir os custos. Além disso, será necessário criar metodologias e procedimentos comuns e replicáveis por diversos centros de pesquisa.

5. Testar estratégias

A fim de explorar diferentes alternativas de adaptação e melhoria dos solos, a comunidade científica poderá combinar modelos computacionais com dados locais de campo. Além de desenvolver e aprimorar os modelos, a pesquisa demandará bancos de dados padronizados e acessíveis.

6. Envolvimento da comunidade

Promover a conscientização do público sobre a importância do carbono orgânico do solo e da possibilidade de melhora representa um momento sem o qual não haverá sucesso. Aqui se aplicam abordagens participativas e o uso de mídias digitais, entre outros recursos.

7. Coordenação política

Como a iniciativa de adaptação dos solos possui um caráter global, ela envolverá a cooperação internacional. As ações dependerão da entrada em vigor de metas e políticas nacionais de longo prazo direcionadas à gestão dos solos.

Essas políticas precisarão estar interligadas às políticas climáticas. Por exemplo, integrar a adaptação dos solos como medida de mitigação das emissões de gases de efeito estufa, para atendimento do compromisso assumidos pelos países no âmbito do acordo climático de Paris.

As ações de gestão do solo implicarão em modificações das práticas atuais dos agricultores. Nesse sentido, as políticas deveriam incluir formas de incentivo, como a compensação financeira. E também flexibilidade para se ajustar às peculiaridades locais.

8. Oferecer suporte

O sucesso da gestão dos solos estará ligada ao armazenamento em longo prazo do carbono. Algumas ações podem proteger os estoques de carbono. Esquemas de comércio de emissões, crédito ou seguro de colheitas consistem em alternativas para evitar a perda do carbono sequestrado pelos produtores.

Medidas atuais e futuras

Países como a China, a Índia e os Estados Unidos implementaram algumas medidas voltadas à recuperação do solo e ao sequestro de carbono. Um fundo de financiamento internacional investe em projetos agroflorestais.

No entanto, ainda estão muito aquém do necessário. Para o artigo, expandir medidas de sequestro de carbono pelos solos dependerá de maior articulação política e da comunidade científica internacional. E agências de financiamento precisarão disponibilizar recursos para a área.

Mais informações: Rumpel, C., Amiraslani, F., Koutika, L. S., Smith, P., Whitehead, D., & Wollenberg, E. (2018). Put more carbon in soils to meet Paris climate pledges.
Imagem: Freeimages

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