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7 atualizações sobre tópicos abordados no último relatório do IPCC

O último relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas – IPCC na sigla em inglês – foi lançado entre 2013 e 2014. Os relatórios do IPCC trazem a síntese do conhecimento e pesquisa científica ligados ao tema do aquecimento global e das mudanças climáticas em um determinado momento.

Desde 2013, a ciência continuou explorando o assunto, fazendo avançar o conhecimento. Foi com vistas a retratar os avanços realizados para alguns tópicos que a academia de ciências Royal Society, do Reino Unido, elaborou o relatório intitulado ‘Climate updates’.

Para cada um dos tópicos abordados, o relatório da Royal Society apresenta o estágio atual do conhecimento científico, e como isso irá influenciar na elaboração da próxima análise do IPCC. Abaixo, os principais tópicos são apresentados.

1. Aumento da temperatura média global

Gráfico do aumento da temperatura média global. A linha rosa indica o aumento observado entre 1990 e 2017. As demais linha mostram as projeções de diferentes modelos climáticos para um cenário em que as emissões atingem o pico em 2040 e então começam a reduzir. A linha laranja mostra a projeção de um modelo no qual se considera uma menor sensibilidade do sistema climático ao aumento do CO2 (linha laranja), enquanto que a linha azul traz a projeção de um modelo no qual a sensibilidade é maior. Fonte: figura 2 do relatório da Royal Society.

 O aumento das concentrações atmosféricas de gases de efeito estufa leva a um aumento da temperatura média da superfície terrestre. Quantificar como a temperatura responderá às concentrações é uma das tarefas assumidas pelo IPCC. As primeiras estimativas sugeriam que as temperaturas subiriam entre 2 a 4,5°C em um cenário no qual o CO2 atmosférico alcançasse o dobro do nível pré-industrial. Na última análise, o IPCC revisou a estimativa para baixo, entre 1,5 e 4,5°C. Mas estudos recentes indicam que a estimativa inicial é a mais provável, sendo o aumento de pelo menos 2°C.  O IPCC deverá corrigir para cima os valores na próxima análise.

2. A contribuição do metano

Gráfico apresenta o aumento nas concentrações atmosféricas de metano. Entre 1999 e 2006, as concentrações permaneceram estáveis, flutuando levemente em torno de um mesmo patamar. A partir de 2007, retoma-se o aumento das concentrações. Fonte: figura 3 do relatório da Royal Society.

Entre 1999 e 2006, as concentrações atmosféricas de metano – CH4 -, um potente gás de efeito estufa, permaneceram estáveis. Quando o IPCC elaborou a última análise, em 2013, as concentrações voltaram a subir. Os dados atuais mostram um período de renovado e vigoroso crescimento desde então. Segundo a Royal Society, o IPCC terá de atualizar as estimativas a respeito da contribuição das concentrações atmosféricas de metano para o aquecimento global. As projeções de emissões futuras de gases de efeito estufa terão de ser atualizadas, considerando a nova tendência de crescimento.

3. Pausa no aquecimento global?

Gráfico com a reconstrução da temperatura média global observada desde o ano de 1850. Entre 1998 e 2012 verifica-se uma breve diminuição do ritmo de crescimento, que é seguida pelo súbito aumento dos anos seguintes. Fonte: figura 4 do relatório da Royal Society.

 Durante a elaboração da última análise do IPCC, criou-se uma controvérsia sobre o aquecimento global. Os dados observacionais mostravam pequeno aumento da temperatura média global entre 1998 e 2012. O período foi chamado de “hiato” ou “pausa”, em especial pela mídias e outras fontes. Na época, o IPCC alertava que “Devido à variabilidade natural, as tendências baseadas em registros curtos são muito sensíveis ao início e datas finais e, em geral, não refletem as tendências climáticas de longo prazo”. Evidência indicam que o planeta continuou a acumular energia no período. E apesar da variabilidade, a temperatura média da superfície terrestre continua a subir.

4. Aumento do nível do mar 

Gráfico traz o aumento do nível médio do mar registrado entre 1880 e 2014. A linha azul representa o levantamento do nível em campo e a linha vermelha o levantamento por satélite. Fonte: figura 5 do relatório da Royal Society
 
O IPCC projetava que o nível médio do mar subiria entre 0.26 e 0.55 metros até 2100 em um cenário de baixas emissões. Esse valor era estimado entre 0,45 e 0,82 metros em um cenários de altas emissões. As análises do IPCC tem sido confirmadas pelas pesquisas mais recentes, diz a Royal Society. As projeções continuam validas. Todavia, o IPCC deverá revisar sugestões de que a contribuição do derretimento das calotas polares para o aumento do nível do mar pode ser maior do que o estimado anteriormente.

5. Alteração dos eventos extremos 

O mapa indica a diferença das temperaturas das ondas de calor, registradas nos meses de Junho, Julho e Agosto de 2015 na Europa, em comparação com a média do período entre 1981 e 2010. Fonte: figura 7 do relatório da Royal Society
 
Mudanças na frequência e intensidade de eventos extremos, como ondas de calor ou chuvas intensas, haviam sido discutidos na análise do IPCC em 2013. De lá para cá, novas evidências e estudos indicam que ondas de calor se tornaram ao redor do planeta e chuvas extremas em algumas regiões. As projeções atuais sugerem que a tendência de mudanças nos eventos climáticos extremos irá prevalecer no futuro, validando as previsões do IPCC.

6. Impactos na produção de alimentos 

Gráfico com o impacto do aumento em 10C na temperatura média global sobre a produção de trigo, arroz, milho e soja. Linhas e círculos indicam diferentes métodos de estimativa do impacto. A barra cinza representam a média calculada a partir do conjunto de métodos utilizados. Fonte: figura 9 do relatório da Royal Society.
 
Para o IPCC, as culturas do trigo, do arroz e do milho seriam impactadas de forma negativa em um cenário de aquecimento global de 2° C acima do nível pré-industrial. Uma quantidade bem mais ampla de práticas agrícolas foi analisada desde a análise do IPCC, incluindo a pecuária, além de estudos sobre a nutrição dos alimentos. Outro avanço se deu em relação às medidas de mitigação e de adaptação ligadas ao setor agropecuária e os custos associados a elas. Em linhas gerais, as conclusões do IPCC sobre a produção de alimentos continuam válidas, mas devem ser enriquecidas com os inúmeros estudos realizados nos últimos anos, que traçam um panorama mais diverso e complexo.

7. Impactos sobre a saúde humana 

Mapa da quantidade de dias por ano em que calor e umidade contribuem para o risco de morte. O primeiro mapa (a) apresenta a média de dias registrada no período entre 1995 e 2005. De (b) a (d), a projeção de dias a serem registrado entre 2090 e 2100 em um cenário de baixas, médias e altas emissões. Fonte: figura 11 do relatório da Royal Society.
 
Os problemas de saúde existentes poderiam ser agravados pelas mudanças climáticas, afirmou o IPCC em 2013. E também que era provável que o aumento das temperaturas tivesse implicado em maior risco de morte e de doenças associadas ao calor. Desde a análise do IPCC, uma grande quantidade de pesquisa tem explorado o tema da saúde humana. Por exemplo, estudos sugerem incremento de riscos de morte devido à mudança na frequência e intensidade das ondas de calor. Projeções indicam uma ampliação da distribuição geográfica de vetores de doenças infecciosas, como o mosquito transmissor da dengue, e que a diminuição nutricional de alguns alimentos pode ter consequências para a saúde. Os novos estudos permitirão ao IPCC aprimorar a análise anterior, com uma gama maior de detalhe.

Fonte: Royal Society
Imagem: Figura 1 do relatório – gráfico do aumento do CO2 atmosférico nos últimos 2.000 anos

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