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Os camarões e o CO2

A conversão de manguezais para produção de camarão levam a perdas de carbono significativas, indica estudo de cientistas do Brasil e dos Estados Unidos. As emissões causadas pela conversão dos mangues corresponderiam a 182 anos de sequestro de carbono pelos solos.

O estudo ressalta que as florestas de mangue, ecossistemas costeiros com biodiversidade única, cobrem mais de 137.000 km2 ao longo de 118 países. Cerca de 7% dos manguezais do planeta estão localizados no Brasil, estendendo-se por mais de 1 milhão de hectares. Mais de 80% ficam concentrados na costa norte do país, entre os estados do Amapá e do Ceará.

Em geral, os manguezais sequestram grandes quantidades de carbono, com um estoque estimado em 885 toneladas por hectare. Somadas todas as áreas do mundo, calcula-se que os mangues armazenem 10.8 petagramas de carbono (1 Pg equivale a 1 bilhão de toneladas).

O ecossistema é vulnerável às pressões de atividades humanas. Alterações no uso e ocupação da terra converteram aproximadamente 50.000 hectares de mangues no Brasil, principalmente para implantação de fazendas de camarão. Além disso, os efluentes gerados pela produção interferem na biogeoquímica do solo, podendo levar ao aumento de emissões de gases de efeito estufa.

O objetivo do estudo foi quantificar o estoque de carbono presente nos manguezais brasileiros, investigando os impactos da conversão dessas áreas em fazendas de camarão. Para tanto, os cientistas coletaram amostras dos solos de oito manguezais e três tanques de camarão nas bacias dos rios Acaraú e Jaguaribe, no Ceará.

Os resultados indicaram que os manguezais armazenavam uma média de 413 toneladas de carbono por hectare. Por volta de 70 toneladas consistia em biomassa, sendo que as árvores respondiam por 19% desse total. O restante do carbono se encontrava sequestrado nos solos.

A conversão das florestas de mangues em fazendas de camarão modificou a densidade dos solos, reduzindo a concentração de carbono armazenada. A perda média foi calculada pelo estudo em 317 toneladas por hectare.

Para se ter uma idéia do volume de carbono perdido, o estudo citou que a retirada e queima da vegetação da caatinga nordestina leva a uma perda estimada de cerca de 39 toneladas de carbono por hectare. Dessa forma, os impactos nas florestas de mangues seriam 10 vezes maiores.

O cálculo das perdas de carbono pelos mangues pode ser considerado conservador. Isso porque as fazendas de camarão afetam a dinâmica dos solos na área de entorno, mas essa influência não foi incluída no estudo.

Os cientistas recomendaram que as políticas costeiras levem em consideração o papel relevante dos ecossistemas de manguezais como sumidouros de carbono. Especialmente frente aos valores de curto prazo da produção de um alimento para exportação para nações desenvolvidas.

Mais informações: Shrimp ponds lead to massive loss of soil carbon and greenhouse gas emissions in northeastern Brazilian mangroves
Imagem: Flickr/Jeroen van Luin

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