Press "Enter" to skip to content

A vegetação influencia a emissão de metano

Os modelos climáticos não são capazes de projetar as taxas de emissão de metano – CH4 – por lagos do Hemisfério Norte, aponta estudo de cientistas da Alemanha, do Canadá e do Reino Unido.  Dessa forma, as projeções de futuras emissões em um contexto de aquecimento global podem estar subestimadas.

Importante fonte de metano, um potente gás de efeito estufa, os ecossistemas aquáticos representam entre 6% e 16% das emissões naturais. Segundo o estudo, até 77% das emissões dos lagos vem daqueles localizados na região litorânea.

Mas há grande variação nas taxas de emissão de metano dos lagos litorâneos nas zonas temperadas e boreais do Hemisfério Norte. Em geral, maiores emissões ocorrem em regiões com a presença de plantas macrófitas.

Umas das hipóteses para a diferença dizia respeito à composição química dos sedimentos e da matéria orgânica que drenava para os lagos. Compostos criados a partir de resíduos de plantas podem desativar enzimas e exercer toxicidade em microorganismos que decompõem a matéria orgânica e produzem metano.

Dessa forma, o acúmulo desses compostos químicos agiria como uma rolha. Ao suprimir a decomposição da matéria orgânica e a consequente produção de metano, eles promoveriam ao mesmo tempo a manutenção de grandes quantidade de carbono nos lagos.

Os cientistas buscaram examinar como os resíduos de diferentes tipos de plantas da região dos lagos interferiam nos microorganismos produtores de metano.

Em laboratório, eles reproduziram as condições observadas nos lagos, de modo a testar como os microorganismos responderiam ao aporte de sedimentos com concentrações distintas de matéria orgânica proveniente de coníferas, florestas deciduais e macrófitas.

Os resultados indicaram que a produção de metano nos lagos poderia variar em pelo menos 400 vezes. A variação se deu por causa de diferenças na química de sedimentos relacionada ao tipo de planta do qual a matéria orgânica se originava. O predomínio de matéria orgânica de macrófitas elevava desproporcionalmente a produção de metano.

As descobertas trazem implicações para o ciclo de carbono global, apontou o estudo. Alterações na composição da cobertura vegetal podem levar a mudanças significativas nas taxas de emissão e de sequestro de carbono de ecossistemas terrestres.

Por exemplo, no caso dos lagos do Hemisfério Norte, as alterações no clima favorecem a expansão da distribuição geográfica de plantas macrófitas e impactam as florestas. Com isso, a produção de metano natural subiria de uma forma não prevista pelos modelos climáticos.

Os cientistas indicaram que a variabilidade na emissão de metano dos lagos pode ser explicada a partir das informações do estudo. Eles esperam que os modelos sejam aprimorados, incorporando a influência da vegetação na emissão de metano pelos lagos.

Mais informações: Climate-driven shifts in sediment chemistry enhance methane production in northern lakes
Imagem: Unsplash/ Sergei Akulich

%d blogueiros gostam disto: