Press "Enter" to skip to content

Sazonalidade de emissões pela zonas úmidas

Zonas úmidas, como a região do Pantanal brasileiro, constituem a maior fonte natural de emissões de metano – CH4 -, um potente gás de efeito estufa. Mas os modelos climáticos não são capazes de simular adequadamente as variações de emissão das zonas úmidas tropicais e subtropicais, afirma estudo de cientistas dos Estados Unidos e do Reino Unido.

Do total de emissões globais de metano, entre 20% a 40% é proveniente das zonas úmidas. Segundo o estudo, o gás responde por aproximadamente 30% do aquecimento observado desde o período pré-industrial. Atualmente, as concentrações atmosféricas de metano são de cerca de 1810 partes por bilhão – ppb -, um aumento de mais de 1000 ppb em relação aos níveis pré-industriais.

Nas últimas décadas, as emissões de metano pareciam ter se estabilizado. De uma média anual de 12 ppb na década de 1980, a taxa de crescimento das concentrações atmosféricas do gás caiu para 6 ppb na década de 1990. No início dos anos 2000, quase nenhum crescimento foi verificado.

Contudo, em 2007 as concentrações voltaram subitamente a subir. Isso sugere que a ciência ainda não compreende os processos e dinâmicas relacionados às fontes emissoras e às fontes de sequestro do metano. Em particular, as zonas úmidas naturais.

As principais causas da incerteza estão associadas às estimativas de extensão e de distribuição das zonas úmidas. A maioria delas se encontra em regiões tropicais e subtropicais. Devido à influencia do regime das chuvas, a extensão das zonas úmidas tropicais, bem como também a taxa de produção de metano, pode variar. 

Avançar o conhecimento das dinâmicas das zonas úmidas tropicais e subtropicais irá melhorar a compreensão do orçamento global de metano, ressaltaram os pesquisadores. Com isso, será possível elaborar projeções de impactos das mudanças climáticas nas futuras concentrações atmosféricas do gás.

Nesse sentido, o estudo avaliou os conjuntos de dados de emissão do metano, identificando a variabilidade temporal e espacial. Compararam os dados com simulações de modelos computacionais dos ecossistemas de zonas úmidas tropicais, a fim de estimar as diferenças entre os modelos e as observações.

A análise mostrou que, apesar de reproduzirem as médias anuais, os modelos não eram capazes de simular apropriadamente o ciclo sazonal de emissões de metano das zonas úmidas tropicais.

A sazonalidade estava ligada às inundações fluviais provadas pelas chuvas. No caso da América do Sul, o estudo investigou duas regiões úmidas, o Pantanal e o trecho entre o final da bacia do rio Paraná, na Argentina, até a foz do rio Uruguai.

Observou-se em ambas regiões a influência do ciclo de El Nino e La Nina. As alterações no padrão das chuvas em anos de El Nino ou La Nina causava inundações sazonais mais fortes, expandindo a área alagada e causando um pico maior das emissões de metano.

As regiões de Yucatán, no México, e das savanas da África do Sul também apresentaram variações sazonais sob a influência das chuvas. A variabilidade das emissões dessas regiões não foi reproduzida pelos modelos.

A falha em simular a variabilidade sazonal levou os modelos a subestimarem as emissões de metano das quatro zonas úmidas mencionadas acima. Mas os pesquisadores apontam que o estudo auxiliará na correção da lacuna dos modelos, permitindo elaborar melhores projeções.

Mais informações: Evaluating year-to-year anomalies in tropical wetland methane emissions using satellite CH4 observations
Imagem: Flickr/ Denis Gustavo

Comments are closed.

%d blogueiros gostam disto: