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Mobilidade e vulnerabilidade à seca no Nordeste

A população rural nordestina apresenta um baixo potencial de mobilidade. Essa características pode torná-la mais vulnerável à impactos ambientais que podem ser intensificados pelo aquecimento global, afirma estudo de pesquisadores brasileiros.

O Nordeste é a segunda região mais populosa do país, sendo que quase 27% – ou 14,2 milhões – das pessoas residem na zona rural. A região tem sido usualmente retratada como um espaço perdedor de população, particularmente da área rural para centros urbanos.

Mas essa imagem não condiz com a realidade. De acordo com o estudo, aproximadamente 77% dos habitantes da zona rural nordestina nunca fixaram residência fora do município onde nasceram.

A questão da mobilidade da população rural ganha importância em face dos impactos do aquecimento global. Um dos prováveis efeitos será a intensificação dos eventos de seca na região. A alteração pode acentuar fluxos migratórios, enquanto que, simultaneamente, uma parcela da população permaneça imóvel.

O objetivo do estudo foi identificar como as características socioeconômicas podem interferir na condição de mobilidade da população rural do Nordeste. Analisando os dados do censo do IBGE, Os pesquisadores buscaram identificar motivos e barreiras existentes associadas à questão da migração em face dos eventos de seca.

Além dos laços com o local de origem, os dados indicam que um dos fatores ligados à imobilidade é a insuficiência de renda. Outros fatores incluem o nível escolar e a dependência da atividade agrícola. Os pesquisadores sugerem que a combinação desses elementos impões barreiras à mobilidade, devido a custos iniciais ligado à migração e à possibilidade de encontrar oportunidades de emprego no local de destino.

A conclusão do estudo: a migração constitui uma alternativa apenas para aqueles que possuem recursos e motivações ambientais suficientes. Frente aos cenários futuros de mudanças climáticas, nos quais as secas do Nordeste se intensificam, as barreiras à migração aumentam a vulnerabilidade da população rural.

Mais informações: Emigração e imobilidade no Nordeste brasileiro: adaptação ou resistência?
Imagem: Flickr/ André Juliano

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