Press "Enter" to skip to content

Vai faltar peixe no Golfo Pérsico

Diversas alterações nos oceanos devem ocorrer devido ao aquecimento global. Por exemplo, o nível do mar e a temperatura das águas estão subindo. Em algumas regiões, a salinidade ou a concentração de oxigênio tem sido alterada.

Uma das regiões do planeta que deve sofrer com os impactos é o Golfo Pérsico, sugere estudo de um time de pesquisadores da Austrália e do Canadá. A biodiversidade marinha presente no golfo pode cair até 12% até o fim do século.

O estudo avaliou os potenciais impactos e a vulnerabilidade de 55 espécies marinhas, identificadas por partes interessadas locais como importantes do pontos de vista ecológico e pesqueiro.

A partir de um modelo de nicho ambiental, os pesquisadores reproduziram a distribuição dessas espécies ao longo do Golfo Pérsico. Eles também projetaram como a temperatura e salinidade da água se alterariam em um cenário futuro de altas emissões de gases de efeito estufa, explorando as implicações para as espécies e para a pesca.

 

A biodiversidade se mostrou extremamente vulnerável às mudanças, especialmente na costa da Arábia Saudita, do Bahrein, do Catar e dos Emirados Árabes Unidos. Segundo os cientistas, até o fim do século, as condições da maior parte do sul do golfo se tornariam desfavoráveis para as espécies.

Mapa com a mudança na adequação de habitat para as espécies analisadas. Estão indicadas as projeções para os períodos entre 2040-2050 e 2090-2100. A cor vermelha indica piora e a azul, melhora, em comparação com o ano de 2010. Fonte: figura 3 do estudo.

A resposta de algumas espécies poderia ser a migração em direção às águas mais frias do norte, ao largo das costas do Kuwait e do Irã. Contudo, essa é uma possibilidade limitada pelas características geográficas do golfo, cercado por terras ao norte.

Apesar do número reduzido de espécies analisadas, os cientistas acreditam que os impactos gerais do aquecimento na biodiversidade do Golfo Pérsico seguirá o mesmo padrão.

Ao calcular a interferência na atividade pesqueira, o estudo identificou o Emirados Árabes Unidos como o país com a maior queda. Projetou-se uma queda no potencial de captura de 45% em comparação com o presente.

Mas o país mais prejudicado seria o Bahrein. Lá, as comunidades costeiras dependem da pesca para a alimentação e emprego. Mesmo com uma queda no potencial de captura bem menor, da ordem de 9%, os impactos sociais e econômicos seriam mais relevantes.

É preciso reduzir, em curto prazo, as pressões humanas sobre os recursos pesqueiros, como a sobre-pesca, a poluição e a destruição de habitats, ressaltaram os pesquisadores. Porém, só há uma maneira de se evitar o problema: reduzir as emissões, limitando o aquecimento.

Fonte: Universidade de Columbia Britânica
Mais informações: Climate change impacts on marine biodiversity, fisheries and society in the Arabian Gulf
Imagem: Figura 1 do estudo – mapas do Golfo Pérsico e países adjacentes

%d blogueiros gostam disto: