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O CO2 influencia as florestas, que influenciam as chuvas

Em um futuro de aquecimento global e maiores concentrações atmosféricas de gases de efeito estufa, a floresta amazônica pode se tornar mais seca, enquanto florestas tropicais da África e da Indonésia mais úmidas. Essa foi a conclusão de um estudo de pesquisadores dos Estados Unidos.

O estudo avaliou a resposta das florestas aos níveis mais elevados de dióxido de carbono – CO2 – da atmosfera. O objetivo foi explorar como a interação entre os ecossistemas florestais e a atmosfera seria afetado, e quais as consequências.

Foram realizadas simulação combinando modelos climáticos com modelos dos ecossistemas florestais. Segundo os pesquisadores, há dois fatores principais na relação entre as florestas e a atmosfera. O primeiro deles é o calor e a umidade provenientes dos oceanos, que afetam os padrões de vento sobre as regiões florestais.

Mas o estudo revelou que outra larga influência diz respeito ao modo como as florestas tropicais se ajustam ao aumento das concentrações atmosféricas de CO2. Os resultados sugerem que a resposta dos ecossistemas trará implicações diferentes de acordo com as características regionais, causando um padrão assimétrico de mudança da precipitação.

As árvores absorvem o CO2 do ar através de pequenas estruturas existentes nas folhas, denominadas de estômatos. É também através deles que elas liberam vapor d’água. O aumento das concentrações do CO2 atmosférica facilitará sua absorção pelas plantas, levando-as a manter os estômatos abertos por menos tempo.

Com isso, as árvores também passariam a liberar uma menor quantidade de vapor d’água. Multiplicada pela escala das florestas, a mudança no comportamento das árvores representaria uma alteração em larga escala na troca de energia e umidade com a atmosfera.

Os pesquisadores ressaltaram que, em muitas regiões tropicais, a umidade liberada pelas florestas contribui para os padrões de precipitação. Dessa forma, o novo comportamento das árvores afetaria a circulação dos ventos e o transporte de umidade proveniente dos oceanos.

No caso da Amazônia, o efeito poderia trazer uma quantidade menor de chuvas, com a umidade do oceano Atlântico se limitando à região da Cordilheira dos Andes. Nas florestas da África Central, da Malásia, Papua Nova Guiné e Indonésia, a quantidade de chuvas aumentaria.

Essas regiões são cercadas pelo oceano. A respostas das florestas levaria os continentes a experimentarem um aquecimento maior do que os oceanos próximos, intensificando o contraste entre a terra e o mar. Os fluxos de vento úmido do oceano em direção à terra cresceriam, trazendo consigo mais chuva.

Os impactos da mudança na precipitação incluiriam mais secas e mortalidade de árvores na Amazônia, ou maior frequência de inundações nas demais florestas tropicais. Os pesquisadores alertam para as implicações sobre a biodiversidade, a disponibilidade de água doce e de alimentos.

Fonte: Universidade da Califórnia
Imagem: Unsplash/ Eutah Mizushima

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