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Investigando o sequestro de carbono pela vegetação

Uma dos pressupostos da ciência era de que o desenvolvimento das plantas seria favorecido pelo aumento do dióxido de carbono – CO2. Maiores concentrações atmosféricas do gás teriam efeito de um fertilizador, estimulando o crescimento da vegetação.

Denominado de fertilização do CO2, esse efeito tem sido observado na vegetação ao redor do mundo.

Mas estudo de pesquisadores da Austrália e dos Estados Unidos levantou evidências de que esse efeito pode não ser duradouro.

Segundo os pesquisadores, as espécies de plantas podem ser divididas em dois tipos, de acordo com o processo de fotossíntese que realizam. A maioria delas é do tipo C3, cujo processo de fotossíntese não se encontra saturado nos níveis atuais de CO2. O segundo tipo é chamado de C4, e sua fotossíntese já se encontra saturada.

Considerava-se que, com o aumento das concentrações , as plantas do tipo C3 elevariam o processo de fotossíntese, sequestrando uma parcela maior de carbono na atmosfera. As plantas do tipo C4 não experimentariam alteração.

O estudo se baseou em duas espécies de gramíneas, uma do tipo C3 e outra do tipo C4. Foram criados 88 parcelas, nas quais cada espécie de grama foi submetida a níveis de CO2 correspondentes aos atuais, e níveis correspondentes às concentrações esperadas para o final deste século.

O experimento teve a duração de duas décadas. Os resultados surpreenderam os pesquisadores. A expectativa era de que as gramíneas do tipo C3 crescessem mais sob níveis elevados de CO2. E aquelas do tipo C4 não fossem afetadas.

Essa tendência ocorreu ao longo dos 12 primeiros anos do estudo. No entanto, nos 8 anos finais, verificou-se uma inversa. As espécies do tipo C4 passaram a crescer mais do que as do tipo C3.

Não foi identificado o motivo para a inversão da tendência. Uma das possibilidades levantadas pelos pesquisadores diz respeito aos nutrientes dos solos. Nas parcelas de gramíneas do tipo C3, a quantidade de nitrogênio diminui, enquanto o inverso se deu nas parcelas do tipo C4.

Os resultados colocam em dúvida as projeções de cenários de aquecimento global por modelos computacionais dos ecossistemas terrestres. Via de regra, esses modelos se baseavam no pressuposto de que espécies do tipo C3 seriam continuamente favorecidas pelo aumento do CO2.

Por isso deve haver ceticismo quanto às suposições sobre a quantidade de carbono sequestrada pelos ecossistemas terrestres no futuro, indicaram os pesquisadores. Por exemplo, somente as pastagens e gramíneas ocupam entre 30% e 40% da superfície dos continentes. Seu potencial de captura de carbono pode ser menor do que o esperado.

O potencial de sequestro de carbono pela vegetação pode estar sendo superestimado. A realidade é bem mais complexa do que o simulado pelos modelos.

Fonte: Universidade de Minnesota e Science
Imagem: Unsplash/ Bruno Martins

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