Press "Enter" to skip to content

Vulnerabilidade de países em desenvolvimento

Limitar o aquecimento global a 2°C acima dos níveis pré-industriais levará a uma maior quantidade de eventos climáticos extremos do que em comparação com o limite de 1,5°C. Em um cenário no qual se mantém o limite mais baixo, diminui a vulnerabilidade de países em desenvolvimento a episódios de chuvas ou secas intensas, aponta estudo de um time internacional de cientistas.

Uma vez que o acordo climático de Paris propôs na prática duas diferentes metas para limitar o aquecimento global, de 1,5°C ou de 2°C acima dos níveis pré-industriais, o estudo explica que diversas análises científicas tem sido realizadas para comparar os impactos de um e outro cenário.

Sem conhecer o nível de aumento da temperatura média global no futuro, a implementação de ações de adaptação fica bastante prejudicada. Por exemplo, executar medidas de adaptação a impactos potenciais do cenário de 1,5°C e depois as corrigir para o cenário de 2°C pode ser mais caro e difícil do que executar, desde o princípio, medidas para o cenário de 2°C.

Por outro lado, colocar em prática medidas de adaptação para impactos de cenários de temperatura elevada que não irão se verificar no futuro pode implicar em desperdícios ou outros efeitos indesejáveis.

O estudo realizou uma análise dos riscos associados a eventos climáticos extremos dos cenários de aquecimento global de 1,5°C e 2°C em países em desenvolvimento. Adotou-se também um índice para quantificar a vulnerabilidade dos países à insegurança alimentar. 

As mudanças climáticas futuras se basearam em um conjunto de projeções de modelos climáticos. Diferentes trajetórias de aquecimento e estabilização da temperatura média global até 2100 foram incluídas.

Os modelos indicaram maiores impactos no cenário de 2°C. Algumas regiões sofrerão mais com a diferença de temperatura do que outras. Por exemplo, a frequência de dias com temperaturas próximas da máxima anual subiu 60% nos trópicos, sendo a média global entre 20% e 30%.

O número de dias secos consecutivos também apresentou forte variação geográfica. Ele subiu na região sul da África, no Mediterrâneo, na Austrália e no nordeste da América do Sul. Diminuiu na Ásia central e oriental.

As projeções de mudança na frequência de chuvas intensas são mais complexas e incertas. As projeções sugeriram que duração dos eventos de inundação irá, em geral, aumentar. Todavia, a precipitação máxima pode aumentar ou diminuir, dependendo do local.

As projeções também indicaram um aumento de vazões médias das bacias hidrográficas, mas com algumas exceções nos trópicos. Enquanto a vazão média do rio Ganges foi projetada para subir entre 30% e 110% no cenário de 2°C, na Amazônia poderiam aumentar em 3% ou diminuir em 25%.

Para a maioria dos países em desenvolvimento, o estudo indicou que a vulnerabilidade à insegurança alimentar se torna mais grave no cenário de 2°C do que no de 1,5°C. As principais causas por trás do aumento da vulnerabilidade foram mudanças na frequência de extremos de chuvas ou secas.

No entanto, vários outros fatores participam para o risco elevado de insegurança alimentar. Os cientistas alertaram que o combate à vulnerabilidade não se limita às mudanças climáticas. Deve abordar várias questões socioeconômicas.

Mais informações: Changes in climate extremes, fresh water availability and vulnerability to food insecurity projected at 1.5°C and 2°C global warming with a higher-resolution global climate model
Imagem: figura 1 do estudo – mapa de vulnerabilidade à insegurança alimentar de países em desenvolvimento

%d blogueiros gostam disto: