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Impactos das secas nas florestas

As secas podem causar interferências significativas nas florestas tropicais, alterando os nutrientes do solo e a emissão de gases de efeito estufa. A recuperação das florestas após os eventos de secas é lenta. Isso sugere que elas são mais vulneráveis às mudanças climáticas do que o suposto anteriormente, aponta estudo de pesquisadores dos Estados Unidos.

As florestas tropicais úmidas tem um papel fundamental no ciclo de carbono. De acordo com o estudo, altas temperaturas e solos úmidos levam a fluxos intensos de carbono entre a floresta e a atmosfera. Globalmente, elas apresentam uma das maiores taxas de emissões de dióxido de carbono – CO2 – pelos solos. Também emitem grandes quantidades de outro gás de efeito estufa, o metano – CH4.

Por outro lado, através da fotossíntese e do crescimento das plantas, as florestas tropicais capturam quantidades maiores de gases de efeito estufa da atmosfera do que emitem. O saldo final é que elas atualmente constituem sumidouros de carbono. 

Contudo, o fluxo de carbono entre a floresta e a atmosfera é um processo biogeoquímico dinâmico, sob a influência de elementos do ambiente. Variações nas concentrações de oxigênio do solo modificam a atividade de microorganismos e as emissões de metano. Também pode flutuar a quantidade de fósforo – P -, um nutriente fundamental para o crescimento das plantas.

Os modelos climáticos projetam que a frequência e intensidade das secas nos trópicos poderá subir devido ao aquecimento global. Os efeitos das secas sobre os processos biogeoquímicos dos solos das florestas, ressalta o estudo, ainda são pouco conhecidos. Ainda há incertezas quanto à resposta dos ecossistemas florestais às mudanças climáticas.

Para investigar os efeitos da seca, os pesquisadores utilizaram uma rede automatizada de sensores em um trecho de floresta tropical de Porto Rico. Eles avaliaram os efeitos da seca provocada pelo El Niño de 2015 nos solos da floresta e nas trocas de gases de efeito estufa com a atmosfera.

Os resultados mostraram que os impactos da seca se fazem sentir em curto prazo, entre 1 a 3 semanas. A recuperação das condições ecológicas após o término da seca, por sua vez, foi lenta, demorando cerca de 12 semanas. Fatores como a topografia se mostraram relevantes para a intensidade dos efeitos da seca sobre o ecossistema florestal.

Os efeitos da seca sobre o ecossistema florestal foram significativos. O estudo identificou um aumento na respiração do solo, que persistiu durante os períodos de recuperação da seca e pós-seca. As emissões de CO2 subiram em taxas diferentes de acordo com a topografia, experimentando um aumento de 60% nas encostas e 163% nos vales.

A captura de metano da atmosfera subiu durante a seca, especialmente nas regiões dos vales. Mas as emissões cresceram consideravelmente após o término da seca, eliminando em poucas semanas qualquer ganho na absorção do gás.

Os pesquisadores também identificaram variações na concentração de fósforo inorgânico, que declinou 60% durante a seca, enquanto que o fósforo orgânico subiu. Essas variações podem ter importantes implicações para as plantas e micróbios ao longo do tempo.

A partir dos resultados, o estudo sugere que as secas, tanto em escala local quanto global, possuem importantes efeitos sobre a biogeoquímica dos ecossistemas florestais. Obter ainda mais detalhes a respeito desses efeitos será fundamental na projeção dos impactos das mudanças climáticas sobre as florestas.

Mais informações: Drought drives rapid shifts in tropical rainforest soil biogeochemistry and greenhouse gas emissions
Imagem: Flickr/ Adam Schweigert

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