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A relação entre o gelo e o ecossistema marinho

Uma das hipóteses da ciência era de que a redução do gelo marinho na Antártica iria favorecer a floração de algas. Sem a cobertura do gelo sobre a superfície do mar, supunha-se que as algas iriam prosperar. Uma maior quantidade de carbono seria sequestrada da atmosfera através da fotossíntese.

Porém um novo estudo de pesquisadores do Reino Unido mostra que a hipótese não é válida. A pesquisa realizada anteriormente se baseava em imagens de satélite. O problema era que os satélites não conseguiam registrar a água coberta por gelo marinho.

Em geral, assumia-se por conveniência que a quantidade de algas presentes em regiões com gelo marinho era pouco significativa.

Para testar essa suposição, os pesquisadores analisaram as glândulas digestivas e estômagos de pequenos camarões da Antártica – o krill. Os animais haviam sido capturados 15 anos atrás, em 2 campanhas de dois meses.

O krill se alimenta de algas. O estudo rastreou a presença de biomarcadores de gordura específicos de algumas espécies de algas, a fim de identificar o tipo de dieta do krill nas diferentes regiões da Antártica.

Os resultados mostraram que os camarões das zonas cobertas de gelo não somente se alimentavam de algas. Eles também eram mais saudáveis do que aqueles capturados em regiões de mar aberto, sugerindo uma alimentação mais rica em nutrientes.

Mesmo o krill capturado em zonas de transição, nas quais o gelo marinho havia acabado de desaparecer, apresentaram resultados semelhantes.

Os pesquisadores especulam que o gelo cumpra um papel protetor para as algas. Por um lado, permite que a luz do sol alcance a água do mar. Por outro lado, impedia que ventos fortes gerassem uma rotatividade na coluna da água, o que limita a utilização da luz solar para a fotossíntese.

Esse efeito pode ser mais relevante para as regiões que ficam cobertas por gelo somente durante a estação do inverno. E talvez também se aplique ao gelo marinho do Ártico.

Mas o aquecimento global poderá prejudicar a dinâmica de formação do gelo marinho sazonal. Dessa forma, o importante papel do gelo na floração das algas diminuiria, com impactos no sequestro do carbono e na cadeia alimentar dos pólos.

Fonte: Science
Imagem: Flickr/ NASA – boom de algas na Antártica

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